Lei de Reciprocidade: entenda o impacto das tarifas dos EUA e a resposta do Brasil

Entenda como a Lei de Reciprocidade pode impactar as relações comerciais entre Brasil e EUA diante do tarifaço imposto por Donald Trump.

A Lei de Reciprocidade volta a ganhar destaque no cenário político e econômico brasileiro diante das recentes medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (28) que o objetivo do governo brasileiro é acelerar o diálogo com os Estados Unidos por meio da aplicação dessa legislação.

O que é a Lei de Reciprocidade?

A Lei de Reciprocidade Econômica permite que o Brasil imponha tarifas ou restrições comerciais a países que adotam práticas discriminatórias contra produtos brasileiros. O mecanismo serve como uma ferramenta de negociação e defesa do comércio exterior nacional.



Alckmin destacou que o instrumento é “importante e necessário” para equilibrar a balança comercial e pressionar por negociações mais justas. Portanto, o Brasil iniciou oficialmente o processo de consulta à Câmara de Comércio Exterior (Camex), que tem 30 dias para avaliar a viabilidade da aplicação da lei contra os EUA.

Tarifaço dos EUA e a resposta brasileira

Em 6 de agosto, o presidente americano, Donald Trump, aplicou um tarifaço sobre diversos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A medida, anunciada por meio de decreto, foi justificada como retaliação às investigações brasileiras sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro por supostos envolvimentos em tentativas de golpe em 2023.

No entanto, o decreto incluiu uma série de exceções, como suco de laranja, petróleo, peças de aeronaves, madeira e aço. Mesmo assim, produtos estratégicos como o café, um dos principais itens da pauta de exportações brasileiras, foram diretamente afetados.



Medidas de apoio ao setor afetado

Diante do impacto econômico, o governo brasileiro anunciou um pacote de medidas para mitigar os efeitos do tarifaço. Além disso, incluiu prorrogação de prazos para pagamento de impostos, linhas de crédito específicas e programas de compras públicas de alimentos produzidos por setores mais atingidos.

  • Prorrogação de prazos fiscais;
  • Linhas de crédito para exportadores;
  • Programas de aquisição de produtos agrícolas;
  • Avaliação de suspensão de propriedade intelectual em setores estratégicos.

Posicionamento do governo brasileiro

Alckmin reforçou que o Brasil não está seguindo o exemplo de outros países, como a China, que enfrentou batalhas comerciais com os EUA até negociar tarifas mais vantajosas. Em vez disso, o Brasil busca uma solução baseada na longa relação de parceria com os Estados Unidos, que se estende por mais de 200 anos.

O vice-presidente também destacou que, apesar da tensão comercial, ainda não há conversas oficiais marcadas com autoridades americanas. Contudo, os diplomatas brasileiros acreditam que a Lei de Reciprocidade pode abrir espaço para um novo ciclo de negociações.

Perspectivas futuras

O governo brasileiro notificará oficialmente o governo dos EUA sobre o início do processo na sexta-feira (29). Portanto, os próximos dias serão decisivos para definir o rumo das relações comerciais entre os dois países. A expectativa é de que o uso da Lei de Reciprocidade sirva como mecanismo de pressão, mas também como via para reabrir o diálogo interrompido.

Em conclusão, a Lei de Reciprocidade representa uma ferramenta estratégica do governo brasileiro diante das tarifas unilaterais dos EUA. Além disso, demonstra a disposição do Brasil para defender seus interesses econômicos e promover uma negociação mais equilibrada no cenário internacional.