Cidade de Gaza é declarada zona de combate perigosa e operação militar se intensifica

Israel declara a Cidade de Gaza como zona de combate perigosa, suspende corredor humanitário e intensifica operações militares contra o Hamas.

O Exército israelense anunciou oficialmente que a Cidade de Gaza passa a ser considerada uma zona de combate perigosa, suspendendo o corredor humanitário que havia sido estabelecido há cerca de um mês na região. O comunicado foi divulgado na sexta-feira (29), marcando um novo capítulo na ofensiva militar contra o grupo Hamas.

Situação militar na Cidade de Gaza

Israel declarou que já controla os arredores da Cidade de Gaza e intensificou os ataques à região desde o dia 8 de agosto. A decisão de classificar a área como zona de combate perigosa elimina quaisquer pausas táticas nos combates, o que significa um aumento significativo na frequência e intensidade dos bombardeios.



Além disso, o Exército israelense confirmou que recuperou o corpo de um refém, Ilan Weiss, e encontrou evidências relacionadas a outro refém morto, ainda não identificado. Segundo o governo Netanyahu, cerca de 50 reféns israelenses permanecem em poder do Hamas, sendo aproximadamente 20 ainda vivos.

Consequências humanitárias

A Cidade de Gaza, lar de cerca de um milhão de palestinos, enfrenta uma crise humanitária sem precedentes. A ONU identificou pela primeira vez no Oriente Médio o estado de fome generalizada na região, o que aumenta a preocupação internacional com os impactos da operação militar.

  • Deslocamento forçado em massa
  • Aumento nos ataques aéreos e bombardeios
  • Suspensão do corredor humanitário
  • Risco de crimes de guerra, segundo a ONU

Apesar dos apelos para evacuação, lideranças religiosas palestinas declararam que deixar a Cidade de Gaza equivaleria a uma “sentença de morte”, e milhares de moradores têm tentado fugir em carros e vans, levando consigo apenas o essencial.



Reações internacionais

Vários países, incluindo Espanha, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, Noruega e Eslovênia, condenaram veementemente a decisão de Israel. Além disso, o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, alertou que a ofensiva pode ter consequências catastróficas.

Por outro lado, o Hamas rejeitou a ofensiva, chamando-a de “desrespeito flagrante” aos esforços de mediação. Apesar disso, o grupo havia aceito recentemente uma proposta de cessar-fogo mediada pelo Egito e Catar, o que foi ignorada pelo governo israelense.

Planejamento e estratégias militares

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu confirmou que a tomada da Cidade de Gaza faz parte do plano para a captura total do território palestino. O comandante militar israelense afirmou que a operação será progressiva, precisa e seletiva, com previsão de continuidade até 2026.

Para garantir a força necessária, Israel convocou 60 mil reservistas e ordenou ao Exército a “redução dos prazos” para assumir o controle total da região. Contudo, o oficial responsável pelo Estado-Maior das Forças Armadas, tenente-general Eyal Zamir, já havia expressado preocupações sobre o risco aos reféns em poder do Hamas.

Em conclusão, a declaração da Cidade de Gaza como zona de combate perigosa intensifica ainda mais o conflito na região. Com isso, aumentam os riscos humanitários, as críticas internacionais e a pressão sobre as partes envolvidas para encontrar uma saída negociada para o conflito.