A tensão entre os Estados Unidos e Venezuela atingiu níveis críticos em agosto de 2025, com o envio de uma frota militar norte-americana ao sul do Caribe, próximo à costa venezuelana. O governo de Nicolás Maduro reagiu de forma contundente, enviando uma carta à Organização das Nações Unidas (ONU) solicitando que a entidade multilateral intervenha para exigir o cancelamento da operação.
Carta à ONU acusa os EUA de ameaça à soberania venezuelana
Na carta, assinada pelo próprio presidente Maduro e endereçada ao secretário-geral da ONU, António Guterres, o governo venezuelano denuncia uma “ameaça gravíssima” por parte do governo norte-americano. Além disso, o documento afirma que as ações dos EUA representam uma tentativa de ressurgimento de “políticas de força” que comprometem a paz internacional.
“A humanidade e esta organização não podem permitir que, em pleno século XXI, resurjam políticas de força que ponham em risco a paz e a segurança internacionais”, afirma o texto. Maduro solicita formalmente que a ONU pressione Washington a pôr fim à operação naval e respeitar a soberania da Venezuela.
Contexto da operação militar dos EUA
Os Estados Unidos enviaram ao Caribe uma frota composta por sete navios de guerra e um submarino nuclear, totalizando cerca de 4.500 militares, segundo informações da Reuters. Entre os navios destacam-se o USS San Antonio, o USS Iwo Jima e o USS Fort Lauderdale. Embora o governo americano justifique a operação como parte de uma campanha contra o tráfico internacional de drogas, especialistas consideram o aparato militar excessivo para esse fim.
Além disso, analistas apontam que mísseis de longo alcance, como os Tomahawk, carregados pelas embarcações, não são compatíveis com operações contra cartéis. Isso levanta suspeitas sobre uma possível intervenção direta no território venezuelano.
Reações e declarações oficiais
O presidente Maduro não poupou críticas à atitude dos Estados Unidos. Em um pronunciamento realizado após a chegada dos navios, ele afirmou que o país está “mais preparado do que nunca” para defender sua soberania. Maduro também acusou os EUA de promover uma “guerra psicológica” e declarou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos para proteger o território nacional.
Por outro lado, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reafirmou que o governo Trump age dentro da legalidade. “Trump está preparado para usar todos os elementos da força americana para impedir que as drogas inundem nosso país e para levar os responsáveis à Justiça”, declarou. Ainda assim, Leavitt evitou confirmar ou negar a possibilidade de uma intervenção militar.
Repercussão internacional
- Argentina, Equador, Paraguai e Guiana seguiram os EUA ao declarar o Cartel de los Soles como organização terrorista.
- Trinidad e Tobago, vizinha da Venezuela, manifestou apoio à ação norte-americana.
- O governo colombiano, embora tenha negado apoio ao regime de Maduro, enviou tropas à região de Catatumbo, reforçando a segurança na fronteira.
No entanto, a ONU ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido venezuelano. A organização multilateral está em silêncio diante da crescente tensão EUA e Venezuela, mesmo com o embaixador Samuel Moncada afirmando que os Estados Unidos promovem uma “campanha terrorista” na região.
Implicações políticas e riscos de conflito
Se os EUA decidirem avançar com uma ação militar direta na Venezuela, isso terá consequências profundas para a política internacional. A operação, ainda que descrita como combate ao narcotráfico, pode ser interpretada como uma tentativa de derrubar o governo Maduro, considerado ilegítimo por Washington.
Por sua vez, Maduro, acusado pelos EUA de liderar o Cartel de los Soles, teve dobrada a recompensa pela sua captura em agosto de 2025, chegando a US$ 50 milhões. A situação é ainda mais complexa devido ao histórico de desentendimentos entre o governo venezuelano e a ONU, que já questionou a transparência das eleições venezuelanas de 2024.
Em conclusão, a tensão EUA e Venezuela reflete um novo capítulo da crise geopolítica entre as Américas. Enquanto Maduro apela à comunidade internacional, os Estados Unidos mantêm postura firme, deixando o futuro da região em uma encruzilhada crítica.