O mercado de tecnologia enfrenta uma transformação significativa, e o preço de PCs será um dos principais afetados. Segundo um relatório da International Data Corporation (IDC), gigantes como Lenovo, Dell, HP, Acer e ASUS planejam elevar os valores de seus computadores em 15% a 20% até 2026. Esse aumento não se limita apenas aos desktops e notebooks, mas também impactará smartphones Android, já que a memória representa cerca de 20% do custo desses dispositivos.
Por que o preço de PCs vai subir?
A principal causa desse reajuste está na escassez de memórias RAM e SSDs. A demanda por esses componentes disparou devido à expansão dos data centers de inteligência artificial, que consomem grandes quantidades de memória. Empresas como SanDisk, Samsung e Micron já elevaram seus preços, e a situação deve se agravar. Além disso, a produção de DRAM, VRAM e SSDs não acompanha a demanda, o que prolongará a crise até, pelo menos, meados de 2027.
Outro fator preocupante é a migração das memórias corporativas para o mercado doméstico. Com os estoques esgotados, os AI hyperscalers passaram a utilizar componentes originalmente destinados ao público geral. Isso resultou em uma escassez crítica, elevando os custos a níveis sem precedentes. Por exemplo, um pente de memória RAM já supera o valor de um console como o PlayStation 5.
Impactos no mercado e nos consumidores
O aumento no preço de PCs não afetará apenas os consumidores finais. Corporações também terão que renegociar contratos para se adequar aos novos valores. Pequenas empresas e montadores independentes serão os mais vulneráveis, pois não terão acesso a componentes de qualidade com preços competitivos. A IDC estima que o mercado de PCs possa encolher até 9% em 2026, no pior cenário.
No entanto, essa situação também abre oportunidades. Fabricantes de memória e SSDs terão uma fonte de renda lucrativa, enquanto grandes marcas de PCs poderão ganhar participação de mercado ao oferecer sistemas pré-montados como alternativa de maior valor. A TrendForce, por exemplo, revelou que a ASUS planeja aumentar seus preços em 10% a 30%.
O futuro dos componentes de hardware
A escassez de memórias RAM e SSDs não é o único desafio. Processadores e GPUs modernos, especialmente aqueles voltados para inteligência artificial, exigem cada vez mais desempenho de memória. Um Copilot+ PC, por exemplo, requer uma CPU com 16 GB de DRAM. Com os custos proibitivos, a tendência é que os novos sistemas tenham menos memória, o que pode comprometer o desempenho.
A IDC reforça que essa situação sinaliza o fim de uma era de memória e armazenamento baratos. Portanto, consumidores e empresas devem se preparar para um mercado mais caro e com menos opções. A crise deve persistir até 2027, e as soluções dependerão de investimentos em produção e inovação.
Enquanto isso, alternativas como o relançamento de placas-mãe AM4 pela Gigabyte podem surgir para contornar os altos custos da DDR5. No entanto, a longo prazo, a indústria precisará se adaptar a essa nova realidade.
