Os mercados clandestinos de criptomoedas encontraram no Telegram um terreno fértil para expandir suas operações ilegais. De acordo com uma análise da Elliptic, empresa especializada em rastrear transações suspeitas, grupos criminosos chineses estão utilizando a plataforma para hospedar serviços fraudulentos, movimentando bilhões de dólares mensalmente. Esse cenário levanta preocupações globais sobre segurança digital e regulamentação de criptoativos.
Os principais grupos por trás das operações ilegais
Dois grupos se destacam nesse ecossistema criminoso: o Tudou Guarantee e o Xinbi Guarantee. Juntos, eles já viabilizaram cerca de US$ 2 bilhões por mês em transações envolvendo lavagem de dinheiro, venda de ferramentas para roubo de dados e esquemas de investimento falsos. Além disso, a Elliptic identificou que esses mercados clandestinos de criptomoedas também comercializam ferramentas de deepfake baseadas em IA, além de serviços ilícitos que vão desde exploração sexual de menores até tráfico humano.
Esses dados revelam uma realidade alarmante: os mercados clandestinos de criptomoedas não se limitam a fraudes financeiras, mas abrangem crimes graves que afetam diretamente a sociedade. Portanto, a atuação desses grupos exige uma resposta coordenada entre autoridades e plataformas digitais.
Telegram: uma plataforma pública para crimes digitais
O que mais surpreende os especialistas em cibersegurança é a escolha do Telegram como base de operações. Diferentemente da dark web, o Telegram é uma plataforma pública e amplamente utilizada, o que facilita o acesso a serviços criminosos. Entre 2021 e 2025, esses grupos conseguiram roubar US$ 27 bilhões em criptomoedas, superando até mesmo mercados históricos como o AlphaBay.
Embora o Telegram tenha tentado barrar essas operações inicialmente, os mercados clandestinos de criptomoedas se adaptaram e continuaram a crescer. Atualmente, a Elliptic monitora mais de 30 grupos ativos, além dos dois principais. No entanto, a resposta da plataforma a esse problema tem sido controversa.
A polêmica resposta do Telegram
Em declaração à revista WIRED, o Telegram afirmou que não pretende banir esses grupos novamente. A justificativa apresentada é que a plataforma oferece uma alternativa para chineses que buscam liberdade financeira diante das restrições de capital impostas pelo governo. Além disso, a empresa reforçou seu compromisso com a privacidade e a autonomia financeira dos usuários.
Essa postura, no entanto, acende um alerta vermelho para especialistas. A Elliptic destaca que as transações nesses mercados não se limitam a atividades financeiras duvidosas, mas incluem crimes graves como tráfico sexual e escravidão. Portanto, a falta de ação efetiva do Telegram pode agravar ainda mais esse cenário.
O que pode ser feito para combater esses mercados?
Diante desse quadro, algumas medidas são essenciais para conter a expansão dos mercados clandestinos de criptomoedas:
- Cooperação internacional: Autoridades de diferentes países devem trabalhar em conjunto para rastrear e desmantelar esses grupos.
- Regulamentação mais rígida: Plataformas como o Telegram precisam adotar políticas mais transparentes e eficientes para identificar e bloquear atividades ilegais.
- Educação financeira: Usuários devem ser conscientizados sobre os riscos de transações em mercados não regulamentados.
Em conclusão, os mercados clandestinos de criptomoedas representam uma ameaça crescente, e sua atuação no Telegram torna o problema ainda mais complexo. Enquanto plataformas e governos não agirem de forma decisiva, esses grupos continuarão a prosperar, colocando em risco não apenas a economia digital, mas também a segurança de milhares de pessoas.
