O Pix mais seguro está prestes a se tornar realidade para todos os brasileiros. A partir de fevereiro de 2026, o Banco Central (BC) obrigará todas as instituições financeiras a adotarem o rastreamento estendido do Pix. Essa medida visa aprimorar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) e, consequentemente, aumentar a segurança das transações.
Como funciona o novo sistema de rastreamento?
Atualmente, o MED opera de forma facultativa desde novembro de 2025. No entanto, com a nova regra, os bancos poderão bloquear valores fraudulentos mesmo que o dinheiro já tenha passado por várias contas. Isso representa um avanço significativo no combate à pulverização de recursos, técnica utilizada por criminosos para dificultar a recuperação do dinheiro roubado.
O modelo anterior do MED apresentava uma limitação técnica: permitia o bloqueio de recursos apenas na primeira conta de destino. Se o golpista transferisse o valor rapidamente para uma segunda ou terceira conta, o mecanismo não era efetivo. Com a atualização, o sistema marca a transação suspeita e utiliza a tática do “follow the money” (siga o dinheiro, em inglês). Dessa forma, os bancos podem congelar os valores em qualquer etapa da cadeia de transferências, aumentando as chances de ressarcimento.
O impacto das fraudes com Pix
A implementação do Pix mais seguro ocorre em um momento crítico. Dados do Banco Central revelam que as fraudes envolvendo o Pix geraram R$ 4,9 bilhões em prejuízos em 2024, um aumento de 70% em relação a 2023. Além disso, a taxa de recuperação de valores contestados em 2025 foi baixa, girando em torno de 9%. Esses números destacam a necessidade de ferramentas mais agressivas de rastreio.
O que muda para o usuário?
Na prática, o procedimento para quem sofreu um golpe não muda. Não é necessário ativar nenhuma configuração nova no aplicativo do banco. Ao perceber a fraude, a vítima deve acionar o MED através da área Pix do seu banco o mais rápido possível. Vale ressaltar que o mecanismo é exclusivo para casos de crimes, golpes ou falhas operacionais. Ele não cobre transferências feitas por engano ou desacordos comerciais entre pessoas físicas.
Pix não terá taxas
Além das mudanças de segurança, o início deste ano foi marcado por boatos sobre uma suposta taxação do Pix. No entanto, a Receita Federal desmentiu os rumores, esclarecendo que as novas regras de transparência (Instrução Normativa nº 2.278) são focadas em fintechs e combate à lavagem de dinheiro, sem criar nenhum imposto sobre as transações dos usuários.
Outra novidade no radar para este ano é o Pix Parcelado. A função, que pode substituir o cartão de crédito em algumas situações, segue em desenvolvimento pelo BC e foi adiada de 2025 para 2026.
Conclusão
O Pix mais seguro representa um passo importante na luta contra as fraudes financeiras. Com a obrigatoriedade do rastreamento estendido, os usuários terão mais proteção e os criminosos enfrentarão maiores dificuldades para desviar recursos. Portanto, é essencial que todos estejam cientes das novas regras e saibam como agir em caso de fraude.
