O Gemini, chatbot de inteligência artificial do Google, não receberá anúncios em um futuro próximo. Essa afirmação partiu diretamente do CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, durante uma entrevista concedida ao jornalista Alex Heath no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. A decisão reflete uma estratégia cuidadosa da empresa, que busca preservar a confiança dos usuários e a integridade do assistente virtual.
Por que o Google evita anúncios no Gemini?
Demis Hassabis destacou que, embora a publicidade tenha financiado grande parte da internet, sua aplicação em assistentes de IA exige uma abordagem mais cautelosa. Ele estabeleceu uma distinção clara entre a busca tradicional e os chatbots: enquanto a pesquisa do Google é guiada pela intenção do usuário, o Gemini atua como um assistente pessoal, projetado para ser útil e trabalhar em nome do indivíduo.
O executivo questionou como os anúncios se encaixariam nesse modelo: “Se você pensa no chatbot como um assistente que deve ser útil — idealmente o tipo de tecnologia que trabalha para você como indivíduo — então há uma questão sobre como os anúncios se encaixam nesse modelo”. Além disso, Hassabis alertou que apressar a introdução de publicidade poderia minar a confiança dos usuários, um risco que o Google não está disposto a correr.
Estratégia de monetização: Google vs. OpenAI
Em contraste, a OpenAI, responsável pelo ChatGPT, anunciou recentemente que iniciará testes de publicidade em seu chatbot. A medida afetará inicialmente os usuários da versão gratuita e os assinantes do plano Go nos Estados Unidos. Contas corporativas e assinaturas premium, como Plus, Pro, Business e Enterprise, não serão impactadas.
Os anúncios aparecerão no final da tela, após as respostas geradas pela IA, com uma separação visual clara. A OpenAI garante que as propagandas não influenciarão as respostas do chatbot, mas admite que o histórico de conversas será utilizado para personalizar os anúncios exibidos. No entanto, não há previsão para a chegada dos anúncios ao Brasil.
Hassabis observou que a decisão da OpenAI pode ter sido motivada pela necessidade de aumentar a receita, dados os altos custos de desenvolvimento e computação. Segundo o The Information, a empresa apresentou um prejuízo líquido de US$ 13,5 bilhões no primeiro semestre de 2025, apesar de ser pioneira no mercado de chatbots de IA.
O futuro do Gemini e a confiança do usuário
O CEO do Google DeepMind deixou claro que o Google não sente “nenhuma pressão imediata” para tomar decisões precipitadas sobre monetização com anúncios no Gemini. A empresa prioriza a experiência do usuário e a manutenção da confiança, elementos essenciais para o sucesso de um assistente de IA.
Em conclusão, enquanto a OpenAI avança com a monetização do ChatGPT, o Google adota uma postura mais conservadora. A decisão reflete não apenas uma estratégia de negócios, mas também um compromisso com a qualidade e a utilidade do Gemini como ferramenta pessoal.
