Acordo UE-Mercosul: Governo espera entrada em vigor em março

Governo brasileiro espera que acordo UE-Mercosul entre em vigor em março, acelerando tramitação em meio a tensões comerciais e tarifas.

O governo brasileiro demonstra otimismo quanto à entrada em vigor do acordo UE-Mercosul até março deste ano. O presidente em exercício, Geraldo Alckmin, reforçou essa expectativa um dia após o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, anunciar que o processo de tramitação será acelerado em resposta às recentes tensões comerciais envolvendo tarifas.

Segundo Alckmin, o otimismo se baseia nos avanços recentes nas negociações e na disposição dos países envolvidos em superar os entraves remanescentes. O acordo, que foi firmado em 2019 após 20 anos de negociações, ainda aguarda a conclusão dos procedimentos internos nos países signatários, especialmente na União Europeia, onde alguns parlamentos nacionais ainda não ratificaram o texto.



Contexto das tarifas e aceleração do processo

A decisão de acelerar a tramitação ocorre em meio a um cenário de pressão comercial. Recentemente, a União Europeia anunciou a taxação de importações de produtos brasileiros como medida de retaliação a políticas ambientais consideradas insuficientes. Nesse contexto, a entrada em vigor do acordo UE-Mercosul é vista como uma forma de estabilizar as relações comerciais e garantir acesso preferencial ao mercado europeu.

O ministro Mauro Vieira destacou que a aceleração não significa atropelar etapas, mas sim priorizar o debate e buscar consenso entre os países membros do Mercosul e da UE. Além disso, o governo brasileiro tem mantido diálogo constante com a Comissão Europeia para alinhar expectativas e garantir que o acordo atenda aos interesses de ambas as partes.

Impactos esperados para o Brasil

Se concretizado, o acordo UE-Mercosul poderá ampliar as exportações brasileiras em até US$ 100 bilhões anuais, segundo estimativas oficiais. Setores como agronegócio, indústria automotiva e manufaturas terão ganhos significativos com a redução de tarifas e a ampliação do acesso a um mercado de mais de 450 milhões de consumidores.



Por outro lado, o governo também reconhece a necessidade de preparar a economia doméstica para a maior competitividade europeia em certos segmentos. Medidas de apoio à inovação e à qualificação de mão de obra estão sendo planejadas para garantir que o país aproveite ao máximo as oportunidades abertas pelo acordo.

Próximos passos

Os próximos meses serão decisivos para o futuro do acordo UE-Mercosul. O governo brasileiro continuará trabalhando em conjunto com os parceiros do Mercosul e com a União Europeia para concluir os procedimentos necessários e garantir que o tratado entre em vigor ainda no primeiro trimestre de 2024. O otimismo expressado por Alckmin reflete a confiança de que, apesar dos desafios, o acordo representa um marco histórico para a integração entre os dois blocos.