Com o aumento exponencial de golpes digitais, como e-mails maliciosos, ligações fraudulentas e deepfakes para extorsão, a área de cibersegurança ganhou destaque global, inclusive no Brasil. Em meio a fraudes cada vez mais sofisticadas, profissionais especializados tornaram-se essenciais para empresas que buscam proteger a integridade e privacidade de suas operações, assim como para cidadãos que desejam se resguardar de ameaças como o golpe do Pix.
O cenário atual: por que a área está chamando atenção?
O Brasil é um dos principais alvos de cibercriminosos devido ao contexto econômico e à popularização de tecnologias financeiras como o Pix. Apesar do aumento na demanda por profissionais, o país enfrenta um apagão de mão de obra: estima-se que até 2025 haverá um déficit de 140 mil vagas, sendo necessários cerca de 750 mil especialistas para suprir a demanda atual.
No cenário global, o Reino Unido exemplifica a explosão de vagas: entre 2021 e 2025, o número de profissionais especializados em cibersegurança saltou de 28.500 para 83.700, superando áreas como arquitetura e barista.
A base técnica para começar
Para ingressar na área, não é preciso ser um “gênio da matemática” ou programador fera, mas é fundamental ter familiaridade com o universo tech. Segundo Daniel Barbosa, pesquisador de segurança da ESET no Brasil, o ideal é começar pelos fundamentos de tecnologia: entender como redes funcionam (IP, DNS, HTTP/HTTPS), conhecer sistemas operacionais como Linux e Windows, e aprender uma linguagem de programação como Python, que ajuda a treinar lógica e é parecida com o inglês.
Evite pular direto para ferramentas avançadas, como a Kali Linux, sem dominar o básico.
Escolha seu lado: Red Team, Blue Team ou GRC
A área de cibersegurança divide-se em três frentes principais:
- Red Team: equipe ofensiva que simula ataques reais para identificar vulnerabilidades e fortalecer a segurança antes que hackers atuem.
- Blue Team: equipe defensiva responsável por monitorar, detectar e mitigar ameaças à infraestrutura, como firewalls. É a porta de entrada mais comum para iniciantes.
- GRC (Governança, Risco e Compliance): foca em gestão de riscos, auditoria, processos e leis, como a LGPD.
No Brasil, há maior carência de profissionais na área defensiva (Blue Team), apesar do interesse maior pelo setor ofensivo (Red Team), que costuma atrair mais atenção pela urgência e popularidade do tema.
Educação: faculdade ou certificação?
A escolha entre faculdade e certificações depende do caminho desejado. Para cargos júnior, certificações como CompTIA Security+ e Certified Ethical Hacker (CEH) são suficientes e reconhecidas globalmente. Já para posições mais altas, o peso do diploma pode ser decisivo.
Muitos profissionais qualificados optam por cursos especializados, que incluem ensinamentos vistos em graduações, enquanto outros são autodidatas e aprendem na prática por plataformas como Hack The Box e TryHackMe.
Soft Skills: o diferencial invisível
Além do conhecimento técnico, soft skills são fundamentais. Capacidades de comunicação, trabalho em equipe e empatia contam muito no dia a dia. Muitos profissionais novatos perdem oportunidades por arrogância ou falta de habilidades interpessoais.
Para Daniel Barbosa, é imprescindível que o profissional esteja disposto a aprender sempre, explorando criatividade para pensar em diferentes soluções e mantendo a ética profissional no cotidiano da empresa.
