O Brasil tem potencial para se tornar referência global no futuro mercado de internet via satélite direto para celulares, conhecido pela sigla D2D (direct-to-device). A afirmação foi feita pelo presidente da Anatel, Carlos Baigorri, durante o Seminário de Políticas de Comunicações, realizado em Brasília na última terça-feira (24).
Essa tecnologia promete revolucionar a conectividade móvel ao permitir que smartphones acessem a internet diretamente por meio de satélites em órbita terrestre baixa, sem depender de torres ou antenas terrestres tradicionais. Segundo Baigorri, o país reúne condições ideais para adotar e até liderar o desenvolvimento do D2D na América Latina.
Como funciona a internet via satélite direto para celulares
A tecnologia D2D vai além do modelo tradicional de internet via satélite, em que equipamentos fixos ou antenas externas captam o sinal. Com o D2D, dispositivos móveis convencionais, como smartphones com sistema iOS ou Android, poderão se conectar diretamente a constelações de satélites de baixa órbita, como a da SpaceX (responsável pelo serviço Starlink).
Essa inovação já começou a ser explorada em países como Chile e Estados Unidos, onde testes e parcerias com operadoras de telefonia permitem sinais básicos para mensagens e dados em áreas remotas. No Brasil, a tecnologia ainda não está disponível comercialmente, mas o interesse e o potencial são grandes.
Vantagens do D2D para o Brasil
O presidente da Anatel destacou que a extensão territorial do Brasil e a ampla demanda por cobertura em regiões isoladas podem impulsionar o país a liderar esse mercado emergente. O Brasil já é um dos maiores mercados da Starlink no mundo, com mais de um milhão de acessos à internet residencial via satélite, evidenciando o potencial da conectividade espacial no país.
Além disso, o Brasil reúne características ideais para adotar e até liderar o desenvolvimento do D2D no futuro, não apenas pela sua vasta área geográfica, que inclui zonas rurais e remotas com cobertura celular limitada, mas também pelo crescente interesse em soluções inovadoras que complementem as redes terrestres existentes.
Desafios e perspectivas
Atualmente, a Anatel ainda não liberou oficialmente o serviço D2D e nenhuma empresa fez pedido formal de licenciamento para operar essa modalidade no país. Existem desafios regulatórios e técnicos a serem enfrentados antes que a tecnologia esteja disponível para os consumidores brasileiros.
O avanço rumo a essa liderança dependerá de decisões regulatórias, parcerias entre empresas de satélite com operadoras móveis e da capacidade de adaptação dos dispositivos às novas formas de recepção do sinal. No entanto, o cenário é promissor e o Brasil pode se tornar um protagonista nessa nova fronteira da conectividade móvel.
