Cabo Submarino: A História e a Retirada do Pioneiro TAT-8

Descubra a história do cabo submarino TAT-8, o pioneiro das fibras ópticas, e como sua remoção está impactando a indústria de telecomunicações.

O cabo submarino TAT-8, que marcou o início da era moderna da internet submarina, está sendo removido do leito oceânico após 37 anos de operação. Este equipamento, lançado em 1988 por um consórcio entre empresas de telecomunicações dos Estados Unidos, Inglaterra e França, foi o primeiro a utilizar fibras ópticas de 1,3 micrômetros, substituindo o tradicional sinal por cobre.

Apesar de ter sido projetado para durar 10 anos, sua capacidade de 560 Mbit/s foi saturada em apenas 18 meses, devido ao surgimento da World Wide Web. Além disso, a necessidade de proteção contra tubarões durante os testes iniciais introduziu o padrão de blindagem de aço utilizado até hoje.



Como é feita a remoção do cabo TAT-8

A logística é liderada pelo MV Maasvliet, uma embarcação diesel-elétrica de última geração que cumpre sua quarta viagem desde janeiro de 2025. Para realizar a retirada, a tripulação utiliza um gancho plano, que é lançado da proa e rebocado a cerca de 1,8 km/h até fisgar o cabo.

Diferente dos cabos de cobre, a fibra óptica do TAT-8 exige o enrolamento manual no porão do navio para evitar a quebra das fibras de vidro. A missão enfrentou atrasos devido às tempestades Dexter e Erin em 2026, o que resultou em uma coleta menor que o planejado.

O material de 6 mil km de extensão será transformado em matéria-prima industrial pela empresa Mertech Marine, na África do Sul. A recuperação do cobre é considerada estratégica diante da previsão de queda de 30% na oferta global do metal em uma década.



Reutilização e Reciclagem

Já o aço da armadura será reutilizado em cercas, enquanto o revestimento de polietileno será usado em aplicações plásticas na Holanda. Mais de 100 repetidores optoeletrônicos, que combinam eletrônica com luz, estão sendo desmontados para a extração de metais preciosos e descarte seguro de componentes.

A retirada do dispositivo visa também desobstruir rotas submarinas, que acumulam cerca de 2 milhões de quilômetros de cabos desativados.

Cabos Submarinos e a Internet Global

Atualmente, os cabos submarinos são considerados essenciais para a manutenção da conectividade mundial. Eles permanecem superiores aos satélites em termos de latência, capacidade e longevidade, e por isso uma rede de aproximadamente 500 cabos sustenta a troca global de informações e pesquisas digitais.

A estrutura básica de um cabo submarino moderno contém um núcleo com fios de fibra óptica protegidos por cobre e polietileno, em construção fina. Em águas rasas, a espessura aumenta para resistir ao tráfego de barcos e atividades de pesca.

O processo de instalação começa em centros de tecnologia e segue até estações de pouso na costa, de onde o cabo parte para o mar. Navios especializados utilizam arados para criar valas no fundo do oceano, onde o material é enterrado pelas correntes.

Para manter o sinal em trajetos longos, o sistema utiliza caixas de liga metálica que amplificam os dados durante todo o percurso. Em geral, os componentes dos cabos submarinos são desenvolvidos para operar por um período estimado de 25 anos.