Um levantamento recente realizado pelo Instituto Fraunhofer, na Alemanha, colocou em xeque a credibilidade dos números divulgados pelas montadoras sobre o consumo real de veículos híbridos plug-in (PHEVs), um dos grandes atrativos para os clientes que ainda não se convenceram dos benefícios de um carro elétrico puro (BEV), mas querem migrar para um segmento mais benéfico ao meio-ambiente.
A pesquisa feita pelo órgão alemão analisou dados reais de mais de um milhão de carros com motorização PHEV em circulação na Europa e revelou que, na prática, esses modelos consomem até três vezes mais combustível do que o informado nos testes oficiais de homologação. Isso significa que a economia prometida no papel é falsa, pois não se confirma no dia a dia.
Segundo o estudo, os testes de laboratório utilizados para homologar os PHEVs costumam ser realizados em condições ideais, com baterias totalmente carregadas e trajetos curtos. No entanto, no uso cotidiano, muitos motoristas não recarregam o veículo com frequência, o que obriga o motor a combustão a trabalhar mais. Essa diferença de cenário explica por que os números oficiais acabam sendo tão distantes da realidade, gerando frustração em consumidores que esperavam maior eficiência.
Marcas premium lideram desvios entre consumo oficial e real
Ainda de acordo com o levantamento divulgado pelo órgão, são as marcas premium que lideram os desvios entre consumo oficial e real. Isso reforça a percepção de que o marketing em torno da eficiência dos híbridos plug-in pode estar superestimado. Embora esses veículos sejam vendidos como uma ponte entre os modelos a combustão e os elétricos, na prática sua performance energética deixa a desejar quando comparada às expectativas criadas em torno do segmento.

Consumo “falso” dos carros PHEV pode abalar mercado
A constatação do órgão alemão de que os PHEVs gastam muito mais combustível do que o divulgado pode afetar diretamente a confiança dos consumidores e a estratégia das montadoras para o segmento.
Afinal, quem investe em um carro híbrido plug-in geralmente busca economia e menor impacto ambiental, mas os resultados práticos mostram que esses objetivos não são plenamente atingidos, ponto que pode levar a uma revisão nas políticas de incentivo e até na forma como esses veículos são posicionados comercialmente.
Essa revelação traz à tona uma discussão importante sobre a transparência nas informações de consumo de veículos e a necessidade de testes mais realistas que reflitam o uso diário dos consumidores. Os resultados sugerem que, para muitos motoristas, a escolha por um veículo híbrido plug-in pode não ser tão vantajosa quanto parece no papel, especialmente se o hábito de recarga não for incorporado à rotina.