Ao montar um computador atualmente, é quase inevitável se deparar com uma realidade preocupante: o preço da memória RAM atingiu patamares nunca antes vistos. Segundo a HP, as memórias já correspondem a 35% do custo total de um PC, um aumento drástico em comparação aos 15-18% registrados no trimestre anterior.
Essa escalada de preços não é apenas um incômodo para o consumidor final. Ela representa um desafio estrutural para toda a indústria de tecnologia. O que antes era um componente acessível agora rivaliza em valor com o custo total de um PC de entrada.
Por que a memória RAM ficou tão cara?
O relatório fiscal da HP para o primeiro trimestre de 2026 revela que o aumento foi de cerca de 100% entre os trimestres. Esse salto repentino está ligado a fatores como escassez global de componentes, alta demanda de data centers e dificuldades na cadeia de suprimentos.
Impacto na montagem de PCs
Para quem pretende montar ou comprar um computador, a situação se torna ainda mais delicada. Um kit de 32 GB DDR5, por exemplo, já custa o equivalente a um PC completo de entrada do ano passado. Isso força os consumidores a repensar configurações e prioridades na hora da compra.
- Considere alternativas como DDR4, se compatível com seu sistema.
- Fique atento a promoções e combos de hardware.
- Pesquise fornecedores alternativos, incluindo marcas chinesas, embora elas também estejam enfrentando aumentos.
Estratégias das fabricantes para lidar com a crise
A HP, apesar do cenário desafiador, conseguiu registrar um crescimento de 7% na receita anual, chegando a US$ 14,4 bilhões. As vendas de sistemas pessoais, que incluem PCs e notebooks, cresceram 14%. No entanto, a empresa alerta que a margem de lucro não deve se manter estável ao longo do ano fiscal de 2026.
Para mitigar os efeitos do aumento, a HP adotou medidas agressivas, como:
- Assegurar estoque antecipadamente.
- Qualificar novos fornecedores.
- Criar posições estratégicas de estoque para plataformas importantes.
- Reduzir pela metade o tempo necessário para qualificar novos materiais.
A empresa também tem utilizado inteligência artificial para otimizar processos da cadeia de suprimento e reduzir custos logísticos, tudo para evitar repassar ainda mais aumentos ao consumidor final.
O que esperar para o futuro?
Especialistas do setor preveem que a situação pode se agravar. O CEO da Phison, por exemplo, alerta para o fim dos PCs baratos e possíveis falências em massa no setor tecnológico. Além disso, a própria HP espera que os preços continuem subindo ao longo do ano.
Outras fabricantes, como a Lenovo, já confirmaram que notebooks ficarão mais caros a partir de março. A Xiaomi, por sua vez, planeja entrar no mercado de SSDs, mas de uma forma inovadora que ainda não foi totalmente revelada.
Enquanto a crise persistir, o consumidor terá que se adaptar, buscando alternativas e planejando melhor seus investimentos em tecnologia. A memória RAM, que antes era um componente secundário na escolha de um PC, agora se tornou um dos principais fatores de decisão e custo.