Um ano após o lançamento do Pix por aproximação no Brasil, o método ainda não conquistou os usuários. Apesar de promissor, o serviço enfrenta desafios que vão desde a concorrência com outras formas de pagamento até limitações tecnológicas. Mas afinal, por que o Pix por aproximação ainda não decolou?
Por que o Pix por aproximação ainda não é popular?
A mudança de hábito no consumo é um processo lento, especialmente quando envolve pagamentos. O Pix por aproximação chegou em um momento em que o Pix tradicional, via QR Code ou chave, já estava consolidado no país. Além disso, o pagamento com cartão de crédito ou débito na modalidade de aproximação já é amplamente difundido, o que reduz a motivação para experimentar uma nova forma de pagamento.
Competição com outras formas de pagamento
Ainda não existe um motivo claro para usar o Pix por aproximação em comparação com outras opções já disponíveis. Segundo Daniel Tafelli, head de pagamentos da fintech Adyen, “o consumidor não sente uma dor clara que o obrigue a migrar neste momento”. O Pix tradicional já funciona bem, e o cartão por aproximação também, o que dificulta a adoção do novo método.
Configuração mais demorada
O cadastro no Pix por aproximação também é um possível entrave. Nos primeiros meses, a Carteira do Google era a única forma de usar o recurso, exigindo que os usuários vinculassem a conta do banco ao app. Embora instituições como Nubank e Itaú já permitam pagamentos com NFC sem abrir a carteira virtual, clientes de outros bancos ainda precisam recorrer ao app do Google, o que pode ser visto como uma etapa adicional para usar um serviço que já está disponível em outra plataforma.
“Toda etapa adicional de configuração pode reduzir a adesão. Quanto mais prático for o processo, maior tende a ser a experimentação e, com a experiência positiva, vem a recorrência”, explica Tafelli.
Disponibilidade de carteiras
A única carteira digital compatível com o Pix por aproximação é a do Google. A Samsung já realizou testes com o recurso, mas ainda não o liberou ao público. No iOS, a Apple mantém atrito com instituições financeiras no Brasil por preservar a tecnologia NFC em seu ecossistema e já informou ao Cade que o modo não é uma prioridade para a companhia.
Além disso, há uma limitação de hardware: nem todos os celulares Android possuem NFC, tecnologia exigida para os pagamentos por aproximação. Dessa forma, a alternativa é usar o cartão físico ou o Pix no próprio aplicativo de banco.
Como aumentar a adesão ao Pix por aproximação?
O método de pagamento ainda tem limitações por conta das carteiras digitais e dos requisitos dos celulares, mas ainda há espaço para crescimento. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a redução de atrito no cadastro de novos usuários é um fator que pode impulsionar a adesão.
“O Pix por aproximação precisa ser tão rápido e intuitivo quanto o cartão por NFC. Quanto menos etapas no app, maior a conversão”, informou um porta-voz da federação. “Qualquer etapa adicional no onboarding reduz a taxa de adesão, especialmente quando o método tradicional já funciona bem. Mas quando o consumidor testa e percebe a conveniência, a tendência é a recorrência aumentar naturalmente”.
A Febraban também destaca que o método é seguro em comparação com o uso do cartão. “A modalidade usa biometria, criptografia e as camadas de autenticação já consolidadas no ecossistema Pix. Em muitos casos, ela é até menos suscetível a golpes de engenharia social do que um QR Code estático”, completa.
Por fim, incentivos comerciais no varejo, como descontos ou benefícios exclusivos, podem estimular a escolha pelo Pix por aproximação no lugar do cartão.