Ransomware vs Wiper: Entenda a Diferença e Como se Proteger

Entenda a diferença crucial entre ransomware e wiper, dois tipos de ataque cibernético que ameaçam seus dados de formas distintas.

Os ataques de ransomware são práticas bastante comuns e agressivas no universo do cibercrime, com o Brasil sendo um dos locais mais afetados por campanhas maliciosas para sequestro de dados. Mas, enquanto o ransomware permanece nos limites da chantagem para o resgate em dinheiro, existe um modelo de ataque ainda mais brutal que pode destruir completamente os arquivos da vítima: o wiper.

O que é ransomware?

Antes de entender a diferença, é fundamental compreender o funcionamento do ransomware. Trata-se de um tipo de malware que sequestra digitalmente os dados da vítima por meio de criptografia, exigindo um pagamento para liberá-los. O objetivo principal é o lucro financeiro, com criminosos organizando operações que funcionam como verdadeiros negócios.



Alguns grupos famosos de ransomware, como WannaCry, REvil e LockBit, atuam de maneira criminosa para sequestrar dados e exigir pagamentos milionários como resgate. A mecânica por trás do ataque envolve gerar uma chave privada que fica sob domínio do hacker, enquanto ele organiza uma série de chantagens para que o alvo pague uma determinada quantia em dinheiro.

A questão do ataque de ransomware é que ele precisa passar uma imagem de “confiança”, mostrando-se reversível para que o usuário acredite que, ao transferir o dinheiro solicitado, seus dados serão recuperados. Caso contrário, perde-se esse fator, já que o ato de não devolver os materiais roubados após o pagamento do resgate pode prejudicar o esquema criminoso.

O wiper: o “assassino de dados”

Mais agressivo e irreversível, o wiper é como um incêndio criminoso que queima uma casa inteira até sobrar apenas as cinzas. Logo, enquanto o ransomware “apenas” rouba os móveis da residência, o wiper vem para destruir tudo que vê pela frente com labaredas de fogo.



Diferente do ransomware, o wiper é mais usado em contextos de sabotagem e ciberguerra, sendo usado por nações rivais para comprometer infraestruturas críticas, como bancos e governos. A tática também é usada por hackers que querem apagar completamente os rastros de algum crime digital.

Isso é possível devido à maneira como o wiper sobrescreve o arquivo roubado ao invés de mantê-lo como refém, gravando “zeros” ou dados de lixo por cima de setores do HD. O wiper pode ainda corromper a Tabela de Arquivos Mestre (Master File Table/MFT), que opera como um banco de dados que registra todos os arquivos em uma unidade de disco. Dessa forma, ele aciona uma destruição total dos dados sem a chance de existir um resgate ou reverter o dano.

Exemplo prático: o caso do HermeticWiper

Um exemplo atual ocorreu na Guerra da Ucrânia com o HermeticWiper. Identificado em 2022, o malware destrutivo foi projetado pela Rússia para inutilizar computadores com Windows, sendo amplamente usado em ataques a organizações governamentais e serviços de infraestrutura ucranianos momentos antes da invasão.

A zona cinzenta entre ransomware e wiper

Um ponto que precisa ser levado em consideração é que muitos wipers se disfarçam de ransomware como estratégia de ataque, enquanto outros podem destruir dados completamente por pura incompetência. Um caso recente envolvendo ações do grupo hacker Nitrogen ilustra bem essa linha tênue.

O incidente consistiu em um bug no código de programação da variante VMware ESXi, que ataca hipervisores e encripta máquinas virtuais. O erro provocou a perda total das chaves de encriptação acidentalmente, fazendo com que os dados sequestrados das vítimas se tornassem irrecuperáveis. Isso significa que, mesmo que o alvo tenha transferido o valor do resgate para recuperar seus arquivos pessoais roubados pelo grupo de ransomware, com o bug, os dados já teriam sido totalmente destruídos.

O lado intencional da coisa, porém, demonstra uma expertise sofisticada por parte de criminosos que querem instaurar o caos ou sabotar alguma infraestrutura crítica com base em um propósito político. Aqui, o caso do NotPetya é um bom exemplo.

Considerado um dos ataques mais destrutivos da história, o NotPetya foi um wiper projetado por hackers russos para impactar a economia da Ucrânia, em 2017. A princípio, o ataque parecia vir de um grupo de ransomware em busca de dinheiro fácil, mas logo revelou ser um wiper perigoso cuja tela de pagamento era apenas uma distração para que os criminosos conseguissem apagar totalmente os dados de grandes empresas, paralisando suas infraestruturas.

Ransomware vs Wiper: Comparativo Completo

Agora que você entendeu as principais diferenças entre ransomware e wiper, veja a tabela comparativa a seguir para fixar bem as definições:

Ransomware vs Wiper
CaracterísticaRansomwareWiper
Objetivo principalDinheiro/ExtorsãoDestruição/Sabotagem
RecuperaçãoPossível (caso pague ou tenha a chave)Impossível (dados sobrescritos)
MotivaçãoCrime financeiroGuerra cibernética ou hacktivismo
MecânicaCriptografia reversívelSobrescrita de disco/Corrupção
Mensagem na tela“Pague para liberar”

Pode simular resgate ou tela azul

Como se proteger de ransomware e wiper

Seja um ataque de ransomware ou um wiper, é importante ter em mente que, independentemente do modus operandi, em ambos os casos são os seus dados que estão em jogo. Enquanto um pode ser reversível, o outro não oferece meios de recuperação, provocando estragos destrutivos que poderiam ter sido evitados, caso a vítima soubesse como se proteger.

Portanto, vale estar atento para medidas preventivas, como apostar em um backup offline dos seus dados para mantê-los em segurança. Assim, mesmo que o seu HD seja sequestrado, você pode restaurar a cópia segura, indo além da proteção de antivírus e firewalls que, embora sejam úteis, podem falhar em momentos críticos.

Além disso, manter sistemas operacionais e softwares sempre atualizados, evitar clicar em links suspeitos ou abrir anexos de remetentes desconhecidos, e utilizar soluções de segurança especializadas são práticas essenciais para reduzir os riscos de ambos os tipos de ataque.

Conclusão

A diferença entre ransomware e wiper não está apenas na forma como agem, mas principalmente na intenção por trás do ataque. Enquanto o ransomware busca lucro financeiro através do sequestro digital, o wiper visa a destruição total e irreversível de dados, muitas vezes com motivações políticas ou de sabotagem.

Entender essa distinção é fundamental para adotar as estratégias de proteção adequadas e garantir que seus dados permaneçam seguros, independentemente do tipo de ameaça que possa surgir.