Depois de anos focada em melhorias invisíveis de software, a indústria de smartphones começa a redescobrir o hardware. Durante a Mobile World Congress (MWC), duas propostas chamaram atenção por irem na contramão do design tradicional: um celular que se move sozinho para filmar o usuário e outro que pode ser desmontado e reconfigurado conforme a necessidade.
O smartphone que se move sozinho
Em gravações comuns, o enquadramento depende totalmente da estabilidade e da atenção do usuário. A proposta da Honor elimina essa limitação ao incorporar um sistema de gimbal motorizado dentro do próprio telefone. Na prática, o dispositivo utiliza micromotores para se movimentar fisicamente — girando sobre superfícies — enquanto algoritmos de inteligência artificial mantêm o alvo centralizado.
“A ideia é que o smartphone deixe de ser apenas um dispositivo passivo e passe a atuar de forma ativa na captura de imagem”, explica Adriano Ponte durante a demonstração.
O resultado é um aparelho que corrige tremores e enquadramento em tempo real, sem depender da intervenção constante do usuário. Esse tipo de abordagem sugere uma mudança importante: o smartphone deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a assumir parte da operação criativa.
O smartphone que você monta
Se a Honor aposta em movimento, a Tecno segue o caminho oposto — o da modularidade. A empresa apresentou um conceito de smartphone desmontável que tenta resolver um problema antigo do mercado: a obsolescência. Hoje, trocar um componente específico — como câmera ou bateria — geralmente exige a substituição de todo o aparelho. A proposta da Tecno é inverter essa lógica.
“A ideia é transformar o smartphone em uma plataforma modular, onde o usuário adiciona apenas o que precisa”, explica Ponte.
O conceito é baseado em um chassi ultrafino que funciona como base. A partir dele, módulos são acoplados por conexões magnéticas e pinos de alta velocidade. Isso permite, por exemplo:
- Adicionar uma bateria extra quando necessário;
- Trocar o conjunto de câmeras por lentes mais avançadas;
- Adaptar o aparelho para diferentes usos ao longo do dia.
“Em vez de trocar de smartphone, você troca apenas partes específicas do hardware”, resume.
Qual inovação ganhará espaço no mercado?
Embora ambas as propostas sejam promissoras, cada uma atende a uma necessidade distinta. O modelo robô da Honor prioriza automação e qualidade de imagem, ideal para criadores de conteúdo. Já o modelo desmontável da Tecno foca em sustentabilidade e flexibilidade, atendendo usuários que buscam durabilidade e personalização.
A grande questão é: qual delas terá maior impacto no mercado? A resposta pode depender de como o consumidor valoriza inovação versus praticidade. O que parece certo é que, em 2026, o conceito de smartphone estará mais amplo do que nunca.
