A Read AI, empresa conhecida por seu aplicativo de anotações de reuniões com inteligência artificial, acaba de expandir suas operações no Brasil com uma proposta inovadora. A novidade se chama Ada, um assistente virtual classificado como “gêmeo digital” que promete revolucionar a forma como os profissionais gerenciam sua comunicação por e-mail.
O Que Torna a Ada Diferente?
A Ada vai além de um simples chatbot ou assistente de escrita. Em entrevista exclusiva ao Canaltech, o cofundador e CEO da Read AI, David Shim, explicou que a ferramenta constrói um modelo comportamental do usuário com base em sinais reais. “Esse aprendizado começa imediatamente e se torna mais preciso à medida que mais contexto é acumulado”, afirmou Shim. Além disso, ele pontuou que não há um ponto fixo em que o sistema esteja “totalmente configurado”, pois a ferramenta evolui continuamente.
Na prática, a Ada funciona como um intermediário inteligente entre o profissional e sua rotina de comunicação. A plataforma analisa e-mails recebidos, sugere respostas, agenda compromissos com base na disponibilidade real do usuário e mantém o acompanhamento de tarefas discutidas em reuniões anteriores. Portanto, tudo isso acontece sem que o profissional precise reconstruir esse contexto manualmente.
Por Que o E-mail?
A escolha do e-mail como ponto de partida pode surpreender em um cenário onde mensageiros corporativos, como Slack, Microsoft Teams e Google Chat, dominam a comunicação corporativa. No entanto, para Shim, a decisão é estratégica. “O e-mail ainda é a camada mais universal de trabalho para todos os profissionais, globalmente”, afirmou. Além disso, ao operar no e-mail, a Ada se torna uma presença “ambiente”, coordenando reuniões dentro de um fluxo já existente.
O CEO antecipou que a expansão para outros canais já está nos planos. “O próximo passo é expandir esse modelo para outros canais e fluxos de trabalho, começando com o Microsoft Teams e Slack”, disse Shim.
Crescimento Expressivo no Brasil
O lançamento acontece em um momento de crescimento acelerado da Read AI no Brasil. A empresa registrou mais que dobrou o número de usuários ativos semanais em comparação com o ano anterior, concentrando uma expansão de aproximadamente 200% no número de usuários em relação a 2024.
O CEO atribui o desempenho no Brasil a uma combinação de maturidade digital e demanda reprimida. “O Brasil é um mercado digitalmente nativo, onde o uso de IA é crescente. Em 2025, 68% dos profissionais já utilizavam IA diariamente e 84% desejavam uma adoção mais ampla no trabalho”, disse Shim. Consequentemente, a empresa identificou um problema que impulsiona essa adoção: o “workshop”, um termo que descreve o tempo perdido por equipes que refazem tarefas ou buscam contexto em diferentes sistemas.
Privacidade e Controle do Usuário
A proposta de um gêmeo digital que acessa e-mails, calendários e históricos de reuniões levanta questões sobre privacidade. A própria pesquisa da Read AI reconhece essa resistência: quase metade dos brasileiros se dizem confortáveis com a ideia, porém condicionam a aceitação à transparência.
Shim afirmou que a transparência está incorporada no funcionamento da ferramenta. “Antes de enviar qualquer e-mail que compartilhe informações potencialmente sensíveis, este Gêmeo Digital leva a conversa pública a uma interação direta com o usuário por meio da ‘barra lateral’. Esse recurso mostra um rascunho da mensagem e solicita aprovação”, explicou. Dessa forma, a Ada não faz envios sem o aval do usuário.
O CEO destacou, ainda, que quase todos os modelos da Read AI são proprietários e patenteados, e que as informações dos usuários não são compartilhadas por padrão para treinamento. Em ambientes corporativos, o controle é dividido: o funcionário define como a Ada opera no dia a dia, enquanto a empresa pode estabelecer políticas e limites de uso.
O Futuro da IA Autônoma
Questionado sobre até onde a Ada deveria poder ir ao agir em nome de alguém, Shim pontua que a ferramenta foi projetada para operar dentro de limites claramente definidos. “O objetivo não é substituir o julgamento humano, mas apoiá-lo e ampliá-lo”, disse. No entanto, à medida que a Ada aprende mais sobre o usuário e ganha capacidade de execução, a linha entre assistência e autonomia tende a ficar cada vez mais fina.
A empresa promete manter o humano “no ciclo de decisão”, mas o sucesso dessa promessa dependerá de como o produto evoluirá nos próximos meses. Em conclusão, a Read AI demonstra que o futuro da produtividade pode estar mais próximo do que imaginamos, mas sempre com o usuário no controle.
