O modelo de assinatura de celulares explicado
Assinar um celular em vez de comprá-lo representa uma mudança significativa no consumo de tecnologia. O usuário paga uma mensalidade, utiliza o aparelho e pode devolvê-lo quando desejar trocar por um modelo mais novo. Esse modelo funciona de maneira semelhante aos serviços de streaming, porém com a particularidade de envolver um bem físico que precisa ser devolvido.
Para entender melhor essa tendência, o Podcast Canaltech conversou com Stephanie Peart, diretora-geral da Leapfone. A especialista explicou os detalhes dessa modalidade e revelou para quem o modelo realmente compensa.
Como funciona a contratação
O processo de contratação funciona como uma compra em e-commerce. O usuário escolhe o aparelho no site, passa por uma análise de crédito feita em segundo plano e recebe o celular em poucos dias. Além disso, a mensalidade já inclui cobertura para roubo, furto qualificado e danos físicos, inclusive quebra de tela.
Em caso de dano, a empresa envia um aparelho substituto imediatamente. A franquia é de 2,5 mensalidades para danos físicos e de 4 mensalidades para roubo, com opção de parcelamento dentro da própria assinatura. Portanto, o usuário não precisa se preocupar com seguros adicionais.
Para quem o modelo compensa
A diretora foi direta sobre os limites do modelo: «Eu não acho que assinar o celular é para todo mundo». Quem compra à vista, usa o mesmo aparelho por vários anos e não se preocupa com revenda provavelmente sai melhor na compra direta.
A assinatura faz mais sentido para quem gosta de trocar anualmente, não quer administrar seguro separado ou não tem limite de crédito suficiente para financiar um aparelho de entrada. Nesse sentido, o modelo oferece flexibilidade e praticidade.
Vantagem fiscal para empresas
No segmento corporativo, o argumento principal é tributário. Toda a mensalidade é 100% dedutível no Imposto de Renda para empresas no lucro real. Na compra tradicional, a dedução é distribuída em até cinco anos, prazo que frequentemente supera o ciclo real de uso do equipamento.
A Leapfone também oferece uma solução de BYOD (Bring Your Own Device). A empresa define um valor de subsídio mensal por colaborador e cada funcionário escolhe o aparelho no site dentro desse limite. Quem quiser um modelo mais caro, paga a diferença.
Mercado de celulares recondicionados
O catálogo inclui aparelhos novos e recondicionados, com a condição indicada no site. Peart afirmou que a procura pelos recondicionados supera a oferta disponível: «Tudo que tem de usado, sai». O principal gargalo, segundo ela, é conseguir estoque suficiente para recondicionamento, reflexo de um mercado em que os aparelhos estão durando mais.
Globalmente, o segmento de smartphones usados e recondicionados foi estimado em US$ 59,38 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 75,43 bilhões até 2029, segundo a Mordor Intelligence. No Brasil, segundo Peart, o setor ainda está muito atrás de mercados como Europa e Estados Unidos.
Conclusão
O modelo de celular por assinatura representa uma alternativa interessante para determinados perfis de consumidores. Contudo, é fundamental avaliar o próprio padrão de uso antes de optar por essa modalidade. Quem valoriza a posse definitiva do aparelho e utiliza o mesmo celular por anos pode encontrar melhores condições na compra tradicional.
