Uma Nova Era de Acessibilidade
A Housemarque, estúdio finlandês responsável por Returnal, apresenta Saros como seu mais recente exclusive para PlayStation 5. O jogo chegou com uma proposta clara: tornar o bullet-hell mais acessível sem comprometer a dificuldade. Após analisar detalhadamente a experiência, podemos afirmar que a desenvolvedora alcançou seu objetivo de forma impressionante.
Saros coloca os jogadores no controle de Arjun Devraj, um executor enviado ao planeta metamorfo Carcossa pela corporação Soltari. Sua missão? Localizar três expedições desaparecidas do programa Echelon. Contudo, a narrativa serve como pano de fundo para uma experiência de gameplay extraordinária.
Prós e Contras
Prós
- Recursos de acessibilidade que tornam a experiência menos frustrante
- Movimentação fluida e extremamente precisa
- Modo Eclipse que transforma completamente a dinâmica do jogo
- Ação frenética combinada com desafio elevado
- Visuais de tirar o fôlego
- Gun-play satisfatório e bem implementado
Contras
- Captura facial dos personagens in-game deixa a desejar
- Interações com personagens podem parecer confusas
- Grinding de recursos pode ser necessário em alguns momentos
- Design de inimigos apresenta padrões repetitivos
Mecânicas que Transformam a Experiência
A primeira grande inovação de Saros é a Segunda Chance. Esta mecânica permite que Arjun retorne à ação após perder sua barra de vida pela primeira vez em um ciclo. Além disso, o Escudo de Energia se destaca como a principal inovação do título. Esta tecnologia da Soltari absorve projéteis azuis e os transforma em energia para habilidades especiais.
Testar Returnal após se acostumar com o Escudo de Energia de Saros revela o quanto essa mecânica revolutiona o gênero. Ela se encaixa de forma natural e intuitiva, tornando-se indispensável para qualquer jogo nessa pegada.
Exploração e Progressão
Saros funciona como um shooter bullet-hell em terceira pessoa. Os jogadores devem esperar ação frenética e momentos que não permitem um segundo de respiro. A progressão em Carcossa lembra Returnal, com cenários lineares que mudam a cada morte.
Felizmente, Saros abandonou os elementos mais punitivos do roguelike e abraçou mecânicas de roguelite. Diferentemente do título de 2021, Saros permite que os jogadores retornem ao bioma onde pararam, eliminando a necessidade de reiniciar toda a jornada.
A árvore de habilidades permanentes representa outro ponto forte. Os jogadores evoluem as skills de Arjun usando recursos como lucenita e serenidade. Esta progressão naturaliza a morte como parte do processo, incentivando o retorno contínuo à ação.
O Modo Eclipse
O Modo Eclipse representa a assinatura de Saros. Durante a exploração, Arjun encontra totens alienígenas que corrompem o mundo, tornando cenários e inimigos significativamente mais hostis. Neste modo, as criaturas tornam-se mais agressivas e utilizam ataques amarelos que provocam corrupção, reduzindo a barra de vida do protagonista.
Embora os níveis fiquem mais difíceis, as recompensas também aumentam. Alguns locais secretos só se tornam acessíveis através deste modo desafiador.
Armamento e Customização
Saros oferece uma variedade de armas enxuta, porém com variações muito bem-vindas. Cada arma possui disparo principal e secundário, além de passivas que variam conforme o nível e a variedade. O gun-play combina perfeitamente com o ritmo frenético e de precisão que Carcossa exige.
Os Modificadores Carcosanos permitem que os jogadores comecem suas runs com benefícios específicos, como ataques mais fortes ou remoção de malefícios dos artefatos. Contudo, o jogo equilibra estes benefícios com modificadores que geram desvantagens.
Pontos de Atenção
Saros apresenta cutscenes excepcionais com modelos de personagens impressionantes. No entanto, os modelos faciais durante as interações in-game parecem robóticos e sem vida, criando um contraste negativo com os belos cenários.
A narrativa, embora bem escrita, pode parecer confusa em alguns momentos. Os diálogos são inseridos de forma que pode dificultar a compreensão da história, especialmente para quem não é fã de ficção científica pesada.
Alguns upgrades na árvore de habilidades exigem quantities massivas de recursos, demandando grind adicional que pode frustrar jogadores casuais.
Veredicto Final
Saros representa um shooter consistente, com poucos deslizes e que prioriza a gameplay acima de tudo. A Housemarque aprimorou elementos excelentes de Returnal e corrigiu pontos críticos, especialmente na parte roguelike.
Apesar dos recursos de acessibilidade, Saros apresenta dificuldade elevada, especialmente contra chefes que lançam centenas de projéteis. Os jogadores ficarão presos em certos níveis por horas, embora isso não chegue a ser frustrante.
Saros não é perfeito, mas entrega uma experiência sólida, divertida e viciante. O jogo facilita as missões em Carcossa sem banalizar o desafio, tornando-se indispensável para fãs do gênero.
