O mercado de tecnologia enfrenta um momento turbulento, registrando sua pior semana desde o início do conflito no Irã. O índice Nasdaq acumulou uma queda de 3,23% na semana, marcando o recuo mais acentuado desde abril de 2025. Esse cenário reflete uma combinação de fatores macroeconômicos e dúvidas sobre o retorno dos investimentos em inteligência artificial.
Desvalorização e correção de mercado
A desvalorização foi tão significativa que levou o Nasdaq 100 e o Dow Jones a entrarem oficialmente em território de correção, caracterizado por uma queda superior a 10% em relação ao pico recente. Entre as Big Techs, a Meta liderou as perdas com um tombo de mais de 11%, seguida por Alphabet (Google), que recuou quase 9%, e Microsoft, com queda de quase 7%.
Impacto do petróleo e tensões geopolíticas
O cenário macroeconômico foi pressionado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, onde passam cerca de 20% de todo o petróleo mundial diariamente. Como nenhum navio não permitido pelo regime iraniano pode passar pelo local, o preço do barril de petróleo Brent atingiu a casa dos US$ 112. Antes do início do conflito, o valor estava na casa dos US$ 70.
O prolongamento da guerra aumenta o risco de uma nova onda inflacionária global, e as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o adiamento de ataques à infraestrutura de energia iraniana não foram suficientes para acalmar os investidores.
Dúvidas sobre o retorno dos investimentos em IA
No recorte específico de tecnologia, o mercado passa por uma reavaliação. Investidores demonstram preocupação com as altas avaliações das empresas e questionam quando os bilhões investidos em infraestrutura de IA trarão lucro real. Essa incerteza tem contribuído significativamente para a pressão sobre as ações de big techs.
Setor de semicondutores e memórias em xeque
O setor de memórias sofreu uma rotação de capital, com ações da Micron caindo mais de 15% mesmo após a companhia reportar receita quase três vezes maior no trimestre. A TSMC, maior fabricante de semicondutores do mundo, sofre com quedas constantes em valor de mercado devido à dependência de Taiwan das reservas energéticas que passam pelo Estreito de Ormuz.
Desafios adicionais para a Meta
A Meta enfrentou pressão adicional devido a duas derrotas judiciais recentes envolvendo a moderação de conteúdo no Facebook e no Instagram e negligência na forma como seus produtos são desenvolvidos. Esses desafios legais somam-se às preocupações do mercado sobre o futuro da empresa no atual cenário econômico.
Apesar das turbulências, especialistas apontam que o setor de tecnologia historicamente se recupera de correções. No entanto, o atual momento exige cautela dos investidores, que devem acompanhar de perto a evolução das tensões geopolíticas e os resultados dos investimentos em inteligência artificial para avaliar o momento adequado de retorno ao mercado.
