O acordo entre UE e Mercosul recebeu aprovação política do Conselho da União Europeia, marcando o fim de uma negociação que durou 25 anos. Este avanço representa um passo crucial para a redução de tarifas e a harmonização de regras entre os dois blocos econômicos. No entanto, o acordo ainda precisa de ratificação pelo Parlamento Europeu e de tradução para as línguas oficiais do bloco.
Impacto no setor automotivo brasileiro
O acordo entre UE e Mercosul renova o debate sobre a competitividade dos modelos europeus frente à produção local e ao avanço das marcas chinesas. Embora seja um avanço histórico, o impacto nas concessionárias não será imediato. O setor automotivo é considerado sensível, e o cronograma de abertura é cauteloso para proteger a indústria brasileira. Atualmente, os carros importados pagam até 35% de Imposto de Importação, mas o acordo prevê a redução gradual dessa tarifa até 0%.
Redução gradual do imposto de importação
A redução das alíquotas para automóveis será gradual. Para veículos convencionais, considerados bens industriais sensíveis, pode levar 15 anos para o imposto ser zerado. Já para modelos eletrificados, a janela de transição chega a 18 anos. Essa lentidão é proposital, visando proteger as fábricas nacionais de uma enxurrada de importados.
Além disso, o acordo prevê a “cláusula de salvaguarda”, um mecanismo que permite ao governo suspender temporariamente a redução tarifária caso as importações ameacem a indústria doméstica. Portanto, embora o acordo entre UE e Mercosul possa reduzir o custo de importação dos carros europeus no Brasil, o efeito será lento e gradual.
Mudanças para marcas de luxo
Atualmente, muitas marcas de luxo montam veículos no Brasil para evitar a tributação de 35%. Com o acordo entre UE e Mercosul, pode ficar mais barato importar diretamente da Europa do que montar localmente, especialmente nos segmentos de luxo. “Hoje, muitas marcas de luxo montam no Brasil para evitar a tributação de 35%. Com o acordo, pode ficar mais barato importar diretamente da Europa do que montar localmente, especialmente nesses segmentos”, explicou Francisco Arrighi, presidente da Fradema Consultoria Tributária, em entrevista ao Uol.
Conclusão
Em conclusão, o acordo entre UE e Mercosul traz perspectivas de redução de custos para os carros importados, mas os efeitos serão sentidos apenas a longo prazo. A indústria brasileira terá tempo para se adaptar às novas condições de mercado, garantindo a estabilidade do setor automotivo nacional.
