Autoridade Palestina perde vistos dos EUA por acusações de apoio ao terrorismo

Autoridade Palestina tem vistos revogados pelos EUA por suspeitas de apoio ao terrorismo, em meio a críticas internacionais à expansão de assentamentos em território palestino.

O governo dos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, anunciou a revogação dos vistos concedidos a membros da Autoridade Palestina e da Organização para a Liberação da Palestina (OLP). A medida, divulgada na sexta-feira (29), faz parte de uma postura cada vez mais rígida do governo americano em relação ao papel da Autoridade Palestina no cenário político do Oriente Médio.

Acusações de vínculos com o terrorismo

Em comunicado oficial, o Departamento de Estado norte-americano acusou a Autoridade Palestina e a OLP de manterem vínculos com práticas consideradas terroristas e de minarem os esforços em prol da paz na região. Além disso, os EUA exigem que essas entidades repudiem publicamente atos de violência e acabem com a incitação ao terrorismo, especialmente nas esferas educacionais.



Portanto, antes que a OLP e a Autoridade Palestina possam ser vistas como parceiras legítimas em negociações de paz, ambas devem demonstrar um compromisso inquestionável com a desvinculação de práticas terroristas, incluindo o repúdio ao massacre de 7 de outubro.

Críticas internacionais à expansão de assentamentos

Paralelamente, o anúncio dos EUA coincide com a divulgação de planos israelenses para expandir assentamentos na Cisjordânia. O projeto prevê a construção de 3.400 novas moradias em áreas palestinas ocupadas desde 1967. Além disso, o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, declarou que o objetivo é consolidar a presença israelense de forma irreversível, dificultando ainda mais a criação de um Estado palestino.

No entanto, a comunidade internacional reagiu com críticas contundentes. A ONU, por exemplo, condenou o projeto chamado E1, que, segundo especialistas, dividiria fisicamente a Cisjordânia e inviabilizaria a solução de dois Estados. Em apoio a essa posição, a União Europeia e a Alemanha também se manifestaram contra a iniciativa israelense.



Repercussão política e jurídica

  • A Autoridade Palestina é acusada de tentar contornar negociações por meio de ações jurídicas internacionais.
  • Apelos ao Tribunal Penal Internacional (TPI) e à Corte Internacional de Justiça (CIJ) são vistos pelos EUA como obstáculos ao processo de paz.
  • ONGs como Paz Agora classificaram o plano de assentamentos como “fatal” para a solução de dois Estados.

Apesar da revogação dos vistos, a missão da Autoridade Palestina nas Nações Unidas continuará com acesso livre à sede em Nova York, graças a um acordo histórico entre os EUA e a ONU. No entanto, ainda não está claro se os representantes palestinos poderão entrar nos EUA para participar da Assembleia Geral da ONU, que ocorre anualmente em setembro.

Conclusão

Em conclusão, a revogação dos vistos pela administração Trump reflete uma reconfiguração das relações internacionais no Oriente Médio. Enquanto os Estados Unidos endurecem sua postura com a Autoridade Palestina, a escalada de tensões na região aumenta com a expansão dos assentamentos israelenses. A paz, portanto, enfrenta desafios cada vez maiores, exigindo posicionamentos claros e responsáveis de todas as partes envolvidas.