O governo brasileiro intensificou sua ação contra o mercado ilegal de apostas, resultando no bloqueio de sites de apostas em larga escala. Entre outubro de 2024 e dezembro de 2025, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) derrubou mais de 25 mil plataformas ilegais. Além disso, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda adotou medidas rigorosas para coibir a promoção de jogos irregulares, incluindo a remoção de 300 perfis de influenciadores digitais.
Estratégias de Fiscalização e Impacto Financeiro
A operação, detalhada no relatório “Panorama Periódico do mercado regulado de apostas de quota fixa”, revelou que a fiscalização se estendeu às redes sociais. Foram abertos 412 processos contra influenciadores, resultando na remoção de 324 perfis e na exclusão de 229 conteúdos específicos. No âmbito corporativo, a Subsecretaria de Monitoramento e Fiscalização instaurou 132 processos administrativos, envolvendo 78 operadores e 133 marcas de apostas. Destes, 80 processos sancionadores permanecem em andamento.
O cerco financeiro também se intensificou. Com a colaboração de 54 instituições financeiras, o governo analisou 1.255 comunicações suspeitas, identificando 265 operadores ilegais. Como resultado, 550 contas bancárias utilizadas para transações não autorizadas foram encerradas. Essa ação demonstra o comprometimento das autoridades em combater a ilegalidade no setor.
Arrecadação e Destinação de Recursos
O mercado regulado de apostas movimentou cifras expressivas em 2025. O Gross Gaming Revenue (GGR), que representa a receita bruta das empresas após o pagamento de prêmios, totalizou R$ 36,9 bilhões. Desse montante, 12% foram destinados a setores públicos, somando R$ 4,53 bilhões. Os recursos foram distribuídos da seguinte forma:
- Esporte: R$ 1,62 bilhão
- Turismo: R$ 1,26 bilhão
- Segurança Pública: R$ 614 milhões
Além disso, o governo arrecadou R$ 95,4 milhões com a Taxa de Fiscalização paga pelas operadoras licenciadas. Esses valores reforçam a importância da regulamentação para a economia nacional.
Perfil dos Apostadores no Brasil
O relatório também traçou um perfil detalhado dos usuários de plataformas reguladas. Em 2025, 25,2 milhões de CPFs únicos realizaram apostas, com predominância do público masculino (68,3%). A faixa etária mais ativa está entre 31 e 40 anos (28,6%), seguida pelos grupos de 18 a 24 anos e 25 a 30 anos, cada um representando 22,7% do total.
Quanto à fidelidade, 48% dos apostadores mantêm conta ativa em apenas um operador. No entanto, 24,5% possuem cadastros em quatro ou mais plataformas, indicando uma busca por diversificação de opções.
Jogo Responsável e Autoexclusão
A implementação da Plataforma de Autoexclusão Centralizada registrou mais de 217 mil solicitações de bloqueio voluntário. Essa ferramenta permite que usuários impeçam seu acesso a todos os sites regulados simultaneamente. Os principais motivos para a autoexclusão incluem:
- Perda de controle sobre o jogo (36,83%)
- Proteção de dados pessoais (24,48%)
- Decisão voluntária (14,87%)
Além disso, 73,39% das solicitações foram por tempo indeterminado, demonstrando a necessidade de medidas que promovam o jogo responsável.
Em conclusão, o bloqueio de sites de apostas e a fiscalização rigorosa refletem o esforço do governo em regularizar o setor. Essas ações não apenas combatem a ilegalidade, mas também garantem a segurança dos apostadores e a destinação adequada de recursos públicos.
