Cairn: O jogo que transforma a escalada em uma experiência incrível

Descubra por que Cairn é a grande surpresa indie do ano, transformando a experiência de escalada em um jogo profundo e desafiador.

Por que Cairn é a grande surpresa indie do ano

Quando falamos de jogos que simulam a experiência de escalar, Cairn surge como uma obra-prima capaz de equilibrar desafio e diversão de forma magistral. Desenvolvido pela The Game Bakers, o jogo não apenas traduz a complexidade da escalada, mas a eleva a um novo patamar com mecânicas de sobrevivência e gestão de recursos que entregam uma brutalidade realista nas montanhas.

Conheça Aava, a alpinista obstinada

No centro da narrativa está Aava, uma alpinista profissional reconhecida mundialmente que se prepara para o maior desafio de sua carreira: ser a primeira pessoa a alcançar o topo do Monte Kami. Ela carrega não apenas o peso de seu objetivo, mas também o legado de seu pai, outro alpinista lendário. A base de Cairn está justamente em sua mecânica de escalada, onde controlamos um membro de Aava por vez (pernas e braços), sempre atentos à distribuição de peso e buscando saliências, rochas e rachaduras em verdadeiros paredões de pedra.



Mecânicas inovadoras que desafiam e encantam

O controle encanta logo de início e se mostra bastante desafiador. Em certos momentos, e dependendo da sua posição, a alpinista pode perder o vigor ou a aderência e acabar se desequilibrando, o que leva à queda ou à morte em alturas mais elevadas. Vez ou outra, será necessário descansar no meio da subida, seja para se estabilizar e recuperar o vigor rapidamente, seja para colocar um píton e usar sua corda para um descanso mais prolongado.

O Climbot, seu pequeno assistente robô, te ajudará em várias ocasiões, como na recuperação de pítons, na produção de magnésio (um pó que aumenta a aderência) e atuando como a ponte de comunicação entre Aava, sua namorada e seu agente chato (à la Barry de Alan Wake).

Gráficos que servem ao gameplay

Os gráficos em cel-shading ajudam muito na visibilidade e na profundidade das áreas nas quais podemos ou não nos apoiar. Isso é um excelente acerto e, com certeza, fará Cairn envelhecer de forma bem mais lenta do que outros indies que apostam em uma fidelidade gráfica mais realista. A apresentação visual do jogo serve não apenas como um deleite, mas também como uma recompensa após escalar dezenas de metros. Prepare-se para contemplar vistas de paisagens maravilhosas e descansar sob um céu noturno estrelado.



Sistemas de sobrevivência profundos e envolventes

Cairn usa e abusa de sistemas de sobrevivência e gestão de recursos. Ao escalar as montanhas, Aava encontra diversos itens, desde macarrão instantâneo velho até flores e ervas medicinais. Com isso, ela pode produzir bebidas e alimentos que, quando combinados, ajudam a estabilizar as barras de fome, sede, saúde e até de temperatura. Algumas dessas receitas, inclusive, podem conceder bônus valiosos na hora de escalar.

Todos esses itens e outras ferramentas são distribuídos na mochila de Aava e ocupam um espaço físico nela. Esse sistema de inventário é tão engenhoso quanto o clássico de Resident Evil 4, em que organizar os suprimentos vira quase um quebra-cabeça.

Exploração que recompensa

Cairn se destaca bastante por não obrigar o jogador a seguir somente na vertical. A exploração aqui é essencial, tanto para conseguir recursos importantes e evitar dores de cabeça, principalmente com sede e fome, quanto para progredir narrativamente e descobrir mais sobre o Monte Kami. Até o momento, fui a todos os lugares que podia explorar, e a variedade de surpresas que encontrei é muito recompensadora, considerando que estamos falando de um jogo de escalada.

Há desde festas secretas em cavernas e apiários misteriosos, até resquícios de uma civilização montanhosa que vivia do que o monte proporciona. Também esbarramos em outros personagens (ou em seus rastros), o que torna o mundo de Cairn ainda mais vivo. Não é só você e o Monte Kami: há toda uma história ali que, inclusive, pode ajudar bastante na jornada.

Detalhes que fazem a diferença

O ponto mais forte de Cairn é sua preocupação com os detalhes, principalmente quando falamos de gameplay. Tudo no jogo pode afetar como Aava escala. É o caso, por exemplo, da saúde de seus dedos: é necessário conferir periodicamente se todos eles estão saudáveis. Caso não estejam, você precisa enfaixar as partes machucadas, afinal, isso prejudica a aderência.

Outro ponto importante é conferir do que as paredes são formadas. Algumas podem ser porosas demais, o que impede a colocação de pítons, que, em Cairn, servem como checkpoints rápidos para evitar uma queda trágica. Em muitos jogos, complexidade demais vira um verdadeiro caos. Felizmente, Cairn apresenta todos esses recursos de forma progressiva e num ritmo invejável.

Desafios e imperfeições

Como todo jogo, Cairn tem alguns impasses que podem atrapalhar um pouco a experiência. Os problemas de colisão são um excelente exemplo disso. De vez em quando, algum membro de Aava acaba entrando em uma parede durante a subida, o que dificulta na percepção de se a personagem está perdendo o equilíbrio ou se está se apoiando em algum lugar seguro.

Aava identifica automaticamente quando chega a um terreno plano, saindo do modo escalada para o modo caminhada, mas nem sempre isso acontece perfeitamente. Já cheguei a algumas partes em que estava numa superfície totalmente plana, e a personagem continuava no modo escalada. Demorava um pouco para ela identificar a transição e dizer “ok, não preciso escalar aqui”.

Vale a pena investir em Cairn?

Para quem busca um jogo profundo e técnico, mas que sabe balancear a diversão e os desafios, Cairn é uma excelente pedida. O título possui uma demo disponível no PC e no PlayStation 5, que oferece o núcleo da experiência — que é justamente controlar os quatro membros de Aava — para ver se você realmente curte o estilo. As mecânicas de sobrevivência e gestão de recursos podem afastar alguns jogadores e, de fato, esses elementos estão bem presentes em Cairn.

Porém, no fim das contas, o jogo da The Game Bakers oferece uma jornada fantástica e brutal, com momentos de calmaria em meio à tempestade. Com certeza, podemos dizer que Cairn é a primeira surpresa indie do ano e transforma escalar em algo incrível no games!