O Governo dos Estados Unidos causou polêmica ao compartilhar um vídeo de Call of Duty: Modern Warfare 3 para promover a cultura de guerra após os recentes ataques ao Irã. A publicação, feita pela conta oficial da Casa Branca no X (antigo Twitter), misturou cenas do jogo com imagens reais de bombardeios militares.
O vídeo mostra uma animação de ataque de bombas guiadas em massa (MGB), recurso do game obtido quando um jogador elimina 30 adversários sem ser derrotado. No entanto, os trechos são acompanhados de cenas reais de bombardeios do exército norte-americano ao Irã, com ilustrações dos pontos vistos em COD: Modern Warfare 3.
Até o momento, a Activision e a Microsoft não se manifestaram sobre o uso do jogo em um contexto político e militar tão sensível. A estratégia, no entanto, não é inédita. Em 2025, o Departamento de Segurança Doméstica (DHS) já havia publicado trechos de prisões realizadas pelo ICE com trilha sonora de Pokémon.
Como os EUA ‘gamificam’ sua imagem política
Além do uso de Call of Duty, o recrutamento para membros do ICE contava com uma cena na qual Master Chief dirigia um Warthog com a frase “Destrua o Flood. Acabe com a guerra”. A estratégia de “gamificar” a imagem política escalou ao ponto de o perfil da Casa Branca publicar uma imagem criada por IA com Donald Trump como o herói de Halo.
É importante levar em conta que Halo e Call of Duty são franquias que pertencem à Microsoft, que até pouco tempo atrás foi acusada de apoiar os ataques de Israel à Palestina. De acordo com relatos, o exército israelense utilizou a infraestrutura de nuvem Azure para monitorar seus adversários.

A companhia negou o suporte e revelou que “não havia evidências de que a sua tecnologia de inteligência artificial e do Azure foi usada para alvejar ou ferir pessoas no conflito de Gaza”. Ainda assim, a Microsoft e o Xbox foram “cancelados” no movimento Boycott, Divest and Sanction (“Boicote, desinvestimento e sanções”, em tradução literal) e receberam uma carta de seus funcionários com o pedido para interromperem o apoio a Israel.
“Não acreditamos que a Microsoft seja lugar para concordar com um genocídio e, como funcionários da companhia, não queremos fazer parte deste projeto sinistro para Gaza. Além disso, é nossa responsabilidade, como trabalhadores da indústria tech, alertar e garantir que nossas tecnologias são usadas para fazer a voz dos oprimidos ser ouvida e não facilitar o seu fim”, diz o documento assinado por centenas de membros da equipe.
Contexto geopolítico e reações
Enquanto o vídeo foi publicado pela conta oficial da Casa Branca, a administração de Donald Trump negou a responsabilidade do ataque a uma escola infantil que matou quase 200 civis. Como os EUA e Israel se uniram na investida contra o país, a autoria não foi reconhecida.
O uso de jogos como ferramenta de propaganda não é exclusivo dos EUA. No entanto, a mistura de entretenimento com operações militares reais levanta questões éticas sobre a banalização da guerra e o impacto na percepção pública de conflitos armados.
