O debate sobre controle parental ganhou destaque recentemente após um desabafo viral no LinkedIn. Melissa McKay, uma mãe preocupada, compartilhou sua surpresa ao descobrir que seu filho recebeu um e-mail do Google. O comunicado informava que, ao completar 13 anos, ele poderia gerenciar sua própria conta e remover o controle parental. Essa política do Google levanta questões importantes sobre segurança digital e autonomia na internet.
O que é o Family Link e como funciona?
O controle parental mencionado por McKay refere-se ao Family Link, uma ferramenta do Google que permite aos pais monitorar e gerenciar o uso de dispositivos por crianças. Com ele, os responsáveis podem:
- Configurar limites de tempo de uso diário;
- Bloquear acesso a sites inadequados;
- Aprovar ou rejeitar a instalação de novos aplicativos.
No entanto, ao atingir a idade mínima estabelecida pela legislação local, os jovens recebem um e-mail do Google. Esse comunicado oferece a opção de manter ou desativar o controle parental. Além disso, mesmo que o adolescente opte por desativar a supervisão, a decisão exige a autorização dos pais até que ele complete 18 anos.
Idade mínima para alterar o controle parental no Brasil
A configuração padrão do Google libera essa opção aos 13 anos. No entanto, a empresa adapta suas políticas conforme a legislação de cada país. No Brasil, a idade mínima segue o padrão global, permitindo que jovens a partir dos 13 anos gerenciem suas contas.
Daniel Meireles, especialista em cibersegurança, explica que essa política está alinhada com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “A LGPD exige consentimento dos pais para o tratamento de dados de crianças até 12 anos. Portanto, permitir a desativação do controle parental a partir dos 13 anos não viola a legislação brasileira”, afirma.
Além disso, Meireles destaca que normas internacionais, como a COPPA (Estados Unidos) e o GDPR (União Europeia), também estabelecem 13 anos como idade mínima para maior autonomia digital.
Riscos da autonomia digital precoce
Embora a legislação permita essa transição, especialistas alertam para os riscos da autonomia digital sem supervisão. Meireles, idealizador do projeto “O Cibernauta”, enfatiza que oferecer liberdade total na internet não é emancipação, mas omissão.
Sem mediação adulta, adolescentes podem:
- Compartilhar dados pessoais sem avaliar consequências;
- Ser expostos a conteúdos inadequados, como material violento ou extremista;
- Desenvolver problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão.
Portanto, a orientação é substituir o controle parental técnico por acordos familiares. “Estabelecer regras para o tempo de tela, definir horários de uso e conversar sobre os riscos do ambiente digital são medidas essenciais”, conclui Meireles.
Recomendações para pais e responsáveis
Para garantir uma relação saudável com a tecnologia, os especialistas sugerem:
- Manter diálogos abertos sobre segurança digital;
- Monitorar o comportamento online dos jovens;
- Utilizar ferramentas de controle parental como apoio, não como substituto da educação.
Em conclusão, embora o Google permita que jovens removam o controle parental aos 13 anos, a responsabilidade dos pais na mediação desse processo é fundamental. A tecnologia deve ser uma aliada, não um substituto para a orientação familiar.
