Crise de Combustível: Como a Guerra Pode Afetar Seu Bolso e o Transporte

Entenda como a crise de combustível causada por tensões geopolíticas pode impactar seu bolso e o transporte público no Brasil.

As tensões geopolíticas entre Estados Unidos, Israel e Irã já começam a impactar diretamente o dia a dia dos brasileiros. Os efeitos se manifestam tanto nos postos de gasolina quanto no transporte público, evidenciando uma crise de combustível que pode se agravar nos próximos meses.

O conflito internacional já provocou reajustes no mercado global de petróleo, acelerando aumentos e gerando escassez física de diesel nas refinarias. Embora a gasolina tenha apresentado queda discreta nos últimos meses, o preço nas bombas subiu 0,78% na primeira quinzena de março, atingindo a média de R$ 6,45 por litro.



Preços da gasolina e etanol variam conforme a região

A disparidade de preços já é notória entre as regiões. Em Holambra (SP), o litro da gasolina chega a custar R$ 9,09, enquanto em Itaguari o valor é de R$ 5,59. O etanol também apresenta variações significativas: em Irani (SC), sai por R$ 6,04, mas em Bento de Abreu (SP) custa R$ 3,97.

Impactos no transporte público já são sentidos

Além do aumento nos postos, os reflexos da crise de combustível já afetam o transporte coletivo. Em São Leopoldo (RS), a prefeitura decretou estado de emergência e suspendeu totalmente a circulação de ônibus no último domingo (15) devido à interrupção nas entregas de combustível. Cidades catarinenses como Florianópolis e Joinville também operam com estoques críticos.

Em Teresina (PI), a frota foi reduzida em 30%. A justificativa das empresas é a alta acumulada de quase 50% no diesel, que inviabilizou a operação integral. Esses exemplos demonstram como a crise de combustível afeta diretamente a mobilidade urbana.



Medidas do governo para conter os efeitos

Ciente dos impactos, o Governo Federal zerou as alíquotas de PIS/Cofins e adicionou uma subvenção direta, reduzindo em R$ 0,64 o custo do litro de diesel. A Petrobras, por sua vez, aplicou uma redução de R$ 0,38 no diesel A. Segundo Magda Chambriard, presidente da empresa, o repasse real para as distribuidoras foi de apenas R$ 0,06, valor considerado irrisório diante da crise.

O desafio das prefeituras permanece na garantia da entrega física do combustível para manter as cidades em movimento. A crise de combustível revela a vulnerabilidade do setor de transporte e a necessidade de estratégias de longo prazo para evitar que situações como essa se repitam.