A diplomacia chinesa tem se tornado cada vez mais central no cenário internacional, especialmente sob a liderança de Xi Jinping. Em setembro, Pequim organizou um evento marcante: um desfile militar com a presença simultânea de líderes como Vladimir Putin (Rússia) e Kim Jong-un (Coreia do Norte). A ocasião não foi apenas simbólica — ela revelou como a diplomacia chinesa busca aumentar sua influência geopolítica no mundo.
Um momento estratégico para a diplomacia chinesa
O desfile militar realizado em 3 de setembro marcou o 80º aniversário da rendição do Japão na Segunda Guerra Sino-Japonesa. No entanto, Xi Jinping converteeu o evento em uma plataforma de projeção de poder, reafirmando a posição da China como um ator global relevante. Além disso, a presença de dois líderes controversos — Putin e Kim — mostrou como Pequim está disposta a assumir um papel mediador entre forças geopolíticas.
Portanto, o encontro em Pequim é mais do que uma celebração histórica. Trata-se de uma demonstração clara de que a diplomacia chinesa não apenas reage aos movimentos internacionais, mas também os antecipa. A China utiliza sua capacidade de mediação para se colocar como parceira indispensável em negociações complexas, como a guerra na Ucrânia.
Alianças estratégicas e a influência sobre Putin e Kim
Embora a China mantenha uma postura oficial de neutralidade na guerra entre Rússia e Ucrânia, Pequim fornece apoio indireto a Moscou. Estados Unidos e aliados acusam Pequim de enviar componentes tecnológicos que podem ser usados pela Rússia em sua máquina de guerra. Contudo, a diplomacia chinesa tenta equilibrar interesses estratégicos com a necessidade de manter relações com o Ocidente.
A aproximação entre Kim Jong-un e Vladimir Putin, intensificada desde a invasão da Ucrânia, levantou dúvidas sobre a influência da China sobre Pyongyang. Mesmo assim, a visita surpresa de Kim a Pequim indica que a diplomacia chinesa ainda detém considerável relevância sobre a Coreia do Norte, cuja economia depende em quase 90% das importações chinesas.
- A Coreia do Norte precisa da China para sobreviver economicamente;
- A Rússia enxerga a China como parceira estratégica em tempos de isolamento;
- Os EUA buscam dialogar com Pequim para aliviar tensões comerciais e de segurança.
O papel da diplomacia chinesa na crise ucraniana
Enquanto os EUA ainda não conseguem um acordo com Putin para encerrar a guerra na Ucrânia, a diplomacia chinesa aparece como uma possível via de negociação. A influência limitada, mas real, de Xi sobre Putin e Kim pode ser decisiva para qualquer cessar-fogo. Além disso, o fato de Xi ter se reunido com ambos os líderes antes de um possível encontro com Donald Trump reforça sua imagem como um interlocutor central.
No entanto, os EUA não ignoram a proximidade entre Pequim, Moscou e Pyongyang. Washington vê a diplomacia chinesa como uma ameaça à sua hegemonia global, principalmente em um contexto de crescente tensão comercial e tecnológica. Assim, o desafio para Xi é manter uma posição equilibrada sem comprometer suas relações com parceiros ocidentais.
Perspectivas para o futuro da diplomacia chinesa
O futuro da diplomacia chinesa dependerá da capacidade de Pequim de articular uma estratégia coerente entre Oriente e Ocidente. Com a possibilidade de um novo encontro entre Xi, Putin, Kim e Donald Trump, a diplomacia chinesa tem a oportunidade de reafirmar sua influência global e contribuir para a resolução de conflitos internacionais.
Em conclusão, o evento em setembro demonstra que a China está longe de ser apenas um parceiro comercial. Através da diplomacia chinesa, Pequim busca consolidar sua posição como uma potência geopolítica capaz de moldar o futuro do sistema internacional.