A direita na Bolívia retornou ao poder em 2025, encerrando um ciclo de duas décadas de hegemonia da esquerda liderada pelo Movimento ao Socialismo (MAS). Com a vitória de Rodrigo Paz Pereira no primeiro turno e a consolidação de Jorge “Tuto” Quiroga no segundo, o país enfrenta uma nova fase política marcada por mudanças estruturais e promessas de reformas econômicas.
Contexto eleitoral: A ascensão da direita na Bolívia
No primeiro turno das eleições bolivianas, realizado em 17 de agosto de 2025, a direita na Bolívia obteve resultados expressivos. Rodrigo Paz Pereira (PDC), de centro-direita, alcançou 32% dos votos, seguido por Jorge “Tuto” Quiroga (Libre), com 26%. Em contrapartida, o MAS — tradicional partido de esquerda — obteve apenas 3%, com Eduardo del Castillo como candidato. O cenário evidenciou um desgaste profundo da esquerda e a ascensão de uma nova narrativa política.
1. Desgaste de Evo Morales e o fim de um ciclo
Evo Morales, primeiro presidente indígena da Bolívia, governou por quase 14 anos (2006–2019) com políticas nacionalistas e redistributivas. No entanto, sua saída abrupta em 2019, após acusações de fraude eleitoral, marcou o fim de um ciclo. A Organização dos Estados Americanos (OEA) questionou a transparência do processo, e a pressão popular cresceu. Portanto, a ausência de Morales na cena política, somada à sua tentativa de influenciar o governo de Luis Arce, enfraqueceu o MAS e abriu espaço para a direita na Bolívia.
2. Crise econômica e insatisfação popular
Além do desgaste político, a economia boliviana enfrentou uma grave retração a partir de 2014. A queda dos preços das commodities, combinada com a desaceleração econômica na China e no Brasil — parceiros comerciais estratégicos — afetou diretamente o país. A inflação disparou, chegando a 25% em 2025, o que impactou profundamente famílias cuja renda é majoritariamente destinada ao consumo básico. Assim, a insatisfação popular se transformou em voto de desconfiança ao MAS, favorecendo a direita na Bolívia.
3. Divisão na esquerda e autofagia política
A ruptura entre Evo Morales e Luis Arce, seu sucessor, fragilizou ainda mais a esquerda. No primeiro turno de 2025, Arce não concorreu, e Morales incentivou o voto nulo, o que resultou em 19% dos votos. Esse movimento, embora tenha demonstrado força simbólica de Morales, prejudicou a candidatura de Andrónico Rodríguez, o candidato de esquerda mais votado (8%). Em suma, a divisão interna enfraqueceu a esquerda e consolidou a ascensão da direita na Bolívia.
4. Influência regional e ciclo histórico
A Bolívia faz parte de um movimento maior na América Latina, caracterizado pela alternância entre direita e esquerda. Líderes como Javier Milei na Argentina e Daniel Noboa no Equador representam essa “onda azul”. Além disso, o país tem um padrão histórico de alternância de poder a cada 20 anos. Portanto, a direita na Bolívia não é um fenômeno isolado, mas um reflexo de tendências regionais e cíclicas da política sul-americana.
5. Discurso liberal e apelo às massas
A direita boliviana soube capitalizar o descontentamento popular com propostas liberais: redução de impostos, diminuição do papel do Estado e abertura econômica. Quiroga defende um modelo econômico tradicional, enquanto Paz Pereira foca em inclusão social. Essa dualidade permitiu que a direita na Bolívia conquistasse eleitores de diferentes perfis: desde os mais tradicionalistas até os mais afetados pela crise econômica.
Conclusão: O desafio da nova direita
Com a direita na Bolívia no comando, o país enfrenta o desafio de entregar estabilidade e crescimento após anos de instabilidade. O segundo turno entre Paz Pereira e Quiroga definirá o rumo dessa nova fase. A vitória da direita não foi apenas uma rejeição à esquerda, mas também uma busca por alternativas que promovam desenvolvimento e ordem política.