Em uma entrevista recente ao GamesIndustry.biz, o ex-diretor de Assassin’s Creed: Revelations e Unity, Alexandre Amancio, trouxe à tona uma discussão crucial para a indústria de jogos: o futuro dos jogos AAA está em equipes menores. Segundo o desenvolvedor, a adoção de um modelo de produção semelhante ao do cinema pode ser a chave para viabilizar projetos de alta qualidade com equipes mais enxutas e eficientes.
O problema das equipes gigantes em jogos AAA
Amancio destaca que a indústria de jogos ocidental enfrenta um padrão preocupante. Muitos lançamentos de jogos AAA são seguidos por demissões em massa, mesmo quando o projeto atende às expectativas financeiras e do mercado. Além disso, os custos de desenvolvimento têm aumentado significativamente, levando a preços mais altos para os consumidores, como os US$ 80 cobrados por alguns títulos recentes.
O ex-diretor aponta que um dos principais problemas está no tamanho das equipes de desenvolvimento. Equipes menores em jogos AAA podem ser mais eficientes, enquanto equipes muito grandes geram desafios de gestão e comunicação. Amancio cita uma teoria que afirma: "Sempre que os seres humanos criam algo que ultrapassa cem pessoas, a dinâmica muda completamente. A proporção entre gerência e pessoas trabalhando efetivamente no jogo explode".
A solução: terceirização e co-desenvolvimento
Para resolver esse problema, Amancio sugere que a indústria de jogos adote um modelo semelhante ao do cinema. Nesse modelo, equipes menores em jogos AAA seriam complementadas por terceirização e co-desenvolvimento de partes específicas do projeto. Por exemplo, um sistema naval em um jogo como Assassin’s Creed: Black Flag poderia ser desenvolvido por um estúdio externo, desde que haja uma boa direção e os pontos de conexão com o jogo principal permaneçam estáveis.
No entanto, Amancio reconhece que jogos levam muito mais tempo para serem produzidos do que filmes. Enquanto um jogo AAA pode levar de 6 a 7 anos para ser desenvolvido, um filme pode ser produzido em alguns meses. Apesar dessa diferença, o modelo de produção cinematográfica ainda pode oferecer lições valiosas para a indústria de jogos.
O Japão como exemplo de sucesso
Em contraste com a indústria ocidental, a indústria de jogos japonesa apresenta um cenário diferente. Grandes estúdios como Capcom, Konami e Nintendo raramente fazem cortes profundos em suas equipes. Pelo contrário, é comum ouvir notícias sobre aumento de salários no Japão. A Nintendo, por exemplo, é conhecida por seu modelo de negócios baseado no "Oceano Azul", que prioriza a inovação e a criação de novos mercados.
Empresas como Sony e Square Enix, que passaram por uma ocidentalização ao longo dos anos, são exceções nesse cenário. No entanto, a maioria dos estúdios japoneses continua a adotar práticas que valorizam a estabilidade e o bem-estar de suas equipes.
Conclusão
Em resumo, a proposta de Alexandre Amancio de adotar equipes menores em jogos AAA e um modelo de produção semelhante ao do cinema pode ser uma solução viável para os desafios enfrentados pela indústria de jogos. Ao aprender com as práticas japonesas e adotar estratégias de terceirização e co-desenvolvimento, os estúdios ocidentais podem criar jogos de alta qualidade de maneira mais eficiente e sustentável.
