Lisa Cook, atual diretora do Federal Reserve (Fed), entrou com uma ação judicial para contestar a tentativa de demissão feita pelo ex-presidente Donald Trump. A medida marca um momento delicado na história do banco central norte-americano, cuja independência está sendo diretamente questionada.
O que levou Lisa Cook a entrar com ação judicial?
De acordo com documentos judiciais protocolados na corte federal em Washington, Lisa Cook alega que Trump não possui autoridade legal para removê-la do cargo. A economista argumenta que a demissão anunciada pelo presidente viola a Lei do Federal Reserve de 1913, que estabelece que um governador só pode ser destituído por justa causa.
Além disso, a acusação de fraude hipotecária feita por Trump refere-se a eventos ocorridos antes da nomeação de Lisa Cook para o Fed. Especialistas indicam que tais alegações não se enquadram no conceito legal de justa causa, que normalmente envolve má conduta ou irregularidades durante o exercício da função.
Posicionamento do Fed e da própria Lisa Cook
O Federal Reserve divulgou nota oficial afirmando que Lisa Cook permanece no cargo até que haja uma decisão judicial. Em comunicado por meio de seu advogado, a diretora reafirmou sua intenção de continuar cumprindo suas funções, destacando que não há base legal para sua remoção.
“O presidente Trump alegou ter me demitido ‘por justa causa’ quando não há justa causa prevista em lei, e ele não tem autoridade para fazê-lo”, declarou.
Além disso, seu advogado afirmou que todas as medidas legais cabíveis serão tomadas para barrar o que consideram uma demissão ilegal. Lisa Cook também solicitou à Justiça uma ordem que impeça Trump de efetivar sua saída do cargo.
Por que a demissão de Lisa Cook é inédita?
A tentativa de afastamento de Lisa Cook é inédita porque, pela estrutura do Fed, os membros do Conselho de Governadores possuem mandatos longos e escalonados, garantindo estabilidade e isenção de pressões políticas. O banco central foi criado especificamente para atuar com autonomia, livre de interferências do Executivo ou do Legislativo.
Portanto, a ação de Trump levanta sérias preocupações sobre a politização da política monetária norte-americana. Especialistas alertam que esse tipo de medida pode abalar a credibilidade do Fed, considerado o mais poderoso banco central do mundo, e desestabilizar os mercados financeiros.
Quem é Lisa Cook?
Lisa Cook fez história em 2022 ao se tornar a primeira mulher negra nomeada para o Conselho de Governadores do Fed. Economista formada pela Universidade da Califórnia, Berkeley, e com doutorado em Economia, ela tem vasta experiência acadêmica e prática.
- Doutora em Economia pela UC Berkeley
- Professora de Economia na Universidade Estadual de Michigan
- Conselheira econômica do presidente Barack Obama
- Experiência no Departamento do Tesouro dos EUA
- Especialista em desenvolvimento internacional e impacto da discriminação econômica
Além disso, Lisa Cook atuou na recuperação econômica de Ruanda após o genocídio de 1994 e é fluente em cinco idiomas, incluindo russo. Nomeada pelo presidente Joe Biden, sua nomeação representou um marco de diversidade no Fed, com um mandato que se estende até 2038.
Qual o impacto internacional?
A crise envolvendo Lisa Cook não afeta apenas os EUA. A independência do Fed tem implicações globais, especialmente em economias emergentes como o Brasil. Qualquer instabilidade ou perda de credibilidade do banco central americano pode influenciar diretamente os mercados internacionais, as taxas de câmbio e os fluxos de capital.
Em conclusão, o caso de Lisa Cook não é apenas uma disputa legal, mas sim um teste para a autonomia das instituições democráticas. A forma como o Judiciário americano lidará com essa questão será decisiva para o futuro do Fed e, por tabela, da economia global.