Memória RAM: Alta das Marcas Chinesas e Impacto nos Preços no Brasil

Crise de memória RAM se agrava: marcas chinesas também aumentam preços, tornando upgrades de PC inviáveis no Brasil. Entenda o cenário.

A crise de memória RAM que afeta o mercado global parece não ter fim à vista, de acordo com as últimas previsões do setor. Nos últimos dias, surgiu uma esperança de que fabricantes chinesas poderiam oferecer soluções mais acessíveis, mas até essa possibilidade já parece estar descartada. Novos relatos indicam que até mesmo essas memórias estão sofrendo aumentos significativos, chegando a patamares de preço similares aos das grandes marcas estabelecidas.

Em algumas lojas chinesas, como a JD.com, kits de 32 GB DDR5 da marca KingBank, que utiliza chips CXMT, custam mais de 3.600 yuan, o equivalente a cerca de US$ 530. Esse valor é similar ao que memórias de marcas conhecidas estão custando no mercado dos Estados Unidos, eliminando a vantagem competitiva que se esperava das fabricantes chinesas.



Fabricantes de notebooks já recorrem a essas memórias

A CXMT era considerada uma das principais saídas para a crise de chips de memória RAM, juntamente com outras fabricantes que atuam dentro do mercado chinês. Inclusive, chegou-se a especular que grandes fabricantes de notebooks, como Dell e HP, estariam se preparando para usar essas memórias, já que está cada vez mais difícil assegurar estoque de fabricantes tradicionais.

A CXMT é uma das maiores fabricantes de memória da China (Imagem: Reprodução)

No entanto, até mesmo a CXMT já planeja mudar parte de seu processo de fabricação para a produção de memórias HBM, amplamente utilizadas em data centers para inteligência artificial e armazenamento, responsáveis por drenarem o estoque de chips de memória pelo mundo. Esse tipo de tecnologia é muito mais rentável do que chips para memórias tradicionais voltadas para o consumidor final.

Essa situação levanta uma preocupação: aparentemente, nem mesmo novos players têm capacidade de amenizar a situação. Com mais produção, entende-se que o mercado seria mais suprido, mas a demanda por data centers é tão grande que até mesmo a oferta extra está sendo rapidamente absorvida.



Enquanto isso, no Brasil, um kit de 32 GB DDR5 custa mais de R$ 3.000, quase o preço de um PC de entrada de alguns meses atrás. A situação não para de piorar para o PC gamer, já que até mesmo SSDs estão encarecendo. Um simples SATA 2,5″ de 512 GB passa de R$ 400 hoje, e um 1 TB de SSD PCIe 3.0 já beira os R$ 1.000.

A combinação desses fatores torna o mercado de componentes para PC cada vez mais desafiador para os consumidores brasileiros, que enfrentam preços inflacionados e escassez de produtos essenciais para montagem ou upgrade de sistemas.