A morte de estudante brasileiro na Bolívia tem causado comoção nacional e internacional. Igor Rafael Oliveira Souza, de 32 anos, faleceu em circunstâncias misteriosas na cidade de Santa Cruz de La Sierra, gerando investigações tanto por parte das autoridades bolivianas quanto da família brasileira.
O que se sabe sobre a morte do estudante
Igor cursava o último período de medicina em uma universidade boliviana. Segundo informações da família, ele residia no exterior desde 2015. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o estudante entra, aparentemente desorientado, em uma papelaria no bairro Equipetrol. Além disso, registram sua saída minutos depois, caído em uma calçada e sem sinais vitais.
A família acredita que Igor tenha entrado em um surto psicótico. A mãe, Neidimar Oliveira Souza, relatou que o jovem enfrentava problemas de saúde mental, agravados pela solidão e pelo uso de drogas. “Ele começou a fazer um tratamento na Bolívia, mas não teve êxito”, afirmou.
Suspeitas e reações da família
Segundo testemunhos colhidos pela família, guardas de uma escola alemã próxima teriam sido chamados para conter Igor. No entanto, ao invés de ajudar, teriam agido com truculência. Uma ex-namorada do estudante afirmou que os seguranças chegaram a amarrar as mãos dele. Quando a ambulância chegou, Igor já não tinha pulso.
“Esses guardas mataram meu filho asfixiado”, declarou a mãe. A família suspeita que a causa da morte tenha sido asfixia e, por isso, busca justiça pelas ações dos envolvidos.
A atuação do governo brasileiro
O Ministério das Relações Exteriores confirmou que tem conhecimento do caso e afirma prestar assistência consular à família. No entanto, não detalhou quais medidas foram tomadas. O consulado brasileiro em Santa Cruz de La Sierra está próximo ao local do ocorrido, o que facilita o contato com as autoridades locais.
A mãe de Igor tentou obter ajuda junto ao Itamaraty para custear o traslado do corpo, mas, até o momento, não obteve resposta positiva. Sem condições financeiras, a família iniciou uma campanha de arrecadação para cobrir os custos de mais de R$ 26 mil.
Alterações na legislação sobre translado de corpos
Após a morte da brasileira Juliana Marins, na Indonésia, o governo federal alterou o decreto que regulamenta o translado de cidadãos falecidos no exterior. Agora, exceções podem ser feitas em casos de:
- Famílias comprovadamente carentes;
- Ausência de seguro que cubra os custos;
- Falecimentos que causem comoção pública;
- Disponibilidade orçamentária.
Essa mudança abre espaço para que o governo brasileiro assuma os custos do translado de Igor, principalmente diante da repercussão do caso e da situação financeira da família.
Família viaja à Bolívia em busca de justiça
Moradores do Gama, no Distrito Federal, a família de Igor planeja viajar à Bolívia para resolver os trâmites legais e exigir uma investigação transparente. Além disso, buscam garantir que a morte do estudante não seja esquecida.
“Eu quero que a morte do meu filho não tenha sido em vão”, disse Neidimar. A família espera que as autoridades bolivianas apurem com rigor o que aconteceu e que os responsáveis sejam punidos.
Em conclusão, a morte de estudante brasileiro na Bolívia revela falhas em sistemas de proteção a cidadãos no exterior e destaca a necessidade de políticas públicas que abordem saúde mental e assistência consular de forma mais eficaz.