Ronald Wayne: O Cofundador “Anônimo” da Apple que Ainda Reivindica 10% da Empresa

Descubra a história de Ronald Wayne, o terceiro cofundador da Apple que saiu da empresa em 12 dias e hoje afirma ainda deter 10% da gigante de US$ 3,78 trilhões.

Ronald Wayne entrou para a história como o terceiro cofundador da Apple, porém sua permanência na empresa durou apenas 12 dias. Em abril de 1976, ele auxiliou na criação da gigante tecnológica, mas decidiu abandonar a sociedade poucas semanas depois, recebendo apenas US$ 800 pela desistência. Atualmente, aos 91 anos, ele afirma ao portal PCMag que nunca vendeu sua participação de 10%, e que, do ponto de vista pessoal, ainda se considera dono dessa fatia.

A Reivindicação de Ronald Wayne

A declaração foi feita em entrevista publicada recentemente, no contexto das celebrações dos 50 anos da Apple. “Nunca vendi meu interesse na Apple para ninguém, em nenhum momento, por nenhum valor”, declarou Wayne à PCMag. Além disso, ele argumenta que o cheque de US$ 800 que recebeu representava uma “gorjeta” pelo trabalho prestado nos primeiros dias da empresa, e não um pagamento pela cessão de participação societária.



Se essa tese fosse juridicamente válida, ele teria direito a aproximadamente US$ 378 bilhões, considerando a capitalização atual da empresa, que gira em torno de US$ 3,78 trilhões. No entanto, os registros históricos contradizem essa versão.

O Que Dizem os Registros Oficiais

Segundo o AppleInsider, Wayne concordou formalmente com o valor de US$ 800 ao se desvincular da sociedade original com Steve Jobs e Steve Wozniak. Portanto, os documentos oficiais não sustentam a alegação de que ele ainda detém participação na empresa. Um ano depois, em 1977, quando Mike Markkula transformou a parceria em corporação, Wayne recebeu cerca de US$ 1,77 mil adicionais, parte de um pagamento total de US$ 5.308,96 feito por Markkula para encerrar quaisquer reivindicações futuras dos três fundadores originais.

O próprio Wayne revelou na entrevista que saiu da Apple por temer ser responsabilizado pelas dívidas da empresa. Ele era o único dos três sócios com patrimônio significativo, incluindo casa, carro e economias, enquanto Jobs e Wozniak tinham pouco a perder financeiramente.



O Papel de Ronald Wayne na Fundação

Wayne trabalhava com Jobs na Atari quando foi convidado a entrar na sociedade. Seu papel era o de alguém com mais experiência para mediar conflitos entre os dois Steves e desempatar decisões cruciais. Foi Wayne quem convenceu Wozniak a aceitar que os circuitos que ele projetava seriam propriedade da empresa, condição essencial que desbloqueou a fundação da Apple Computer Company, em 1º de abril de 1976.

Além de atuar como mediador, Wayne criou o primeiro logotipo da empresa: uma ilustração em estilo vitoriano com Isaac Newton sentado sob uma macieira, com uma frase retirada de um poema de Wordsworth. O design foi substituído em 1977 a pedido de Jobs, que o considerou complexo demais. Ademais, Wayne também redigiu o contrato de parceria original e o manual de instruções do Apple I.

A Vida Após a Apple

Após deixar a empresa, Wayne continuou na Atari até o final dos anos 1970 e posteriormente trabalhou no Laboratório Nacional Lawrence Livermore. Ele tentou abrir uma loja de selos, mas encerrou o negócio depois de sucessivos assaltos. Em 1994, vendeu o contrato de fundação da Apple por US$ 500 para um colecionador. Esse mesmo documento foi leiloado em 2011 na Sotheby’s por impressionantes US$ 1,59 milhão.

Wayne publicou uma autobiografia em 2011, intitulada “As Aventuras do Fundador da Apple”, na qual afirma não ter arrependimentos. Hoje, ele mora em Pahrump, Nevada, e mantém um site onde vende cópias autografadas do logotipo original. Ele admite não usar produtos da empresa, possui um computador Dell e só recebeu um iPhone de presente há cerca de seis anos.

Sobre a fortuna que deixou para trás, escreveu no livro: “Se eu tivesse ficado na Apple, provavelmente teria me tornado o homem mais rico do cemitério.” Essa frase resume a mistura de humor e reflexão que caracteriza a看待 de Ronald Wayne sobre sua decisão histórica.