The Economist destaca lição de democracia do Brasil para os EUA em capa com Bolsonaro

A revista The Economist destaca o julgamento de Bolsonaro como uma lição de democracia para os EUA em meio ao declínio das instituições democráticas.

A mais recente edição da revista The Economist coloca o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro na capa, destacando o julgamento que se aproxima como um marco para a democracia não apenas no Brasil, mas também nos Estados Unidos. A publicação, de grande influência internacional, traz uma análise ousada: o Brasil oferece uma lição de democracia para uma América que caminha em direção ao autoritarismo.

A capa e o contexto político

The Economist retrata Bolsonaro com o rosto pintado nas cores do Brasil e usando um chapéu semelhante ao do “viking do Capitólio”, um apoiador extremista de Donald Trump durante a invasão ao Congresso dos EUA em 2021. A imagem carrega um forte simbolismo, associando o ex-presidente brasileiro a um movimento antidemocrático semelhante ao que abalou os Estados Unidos.



Além disso, a revista rotula Bolsonaro como “polarizador” e “Trump dos trópicos”, sublinhando a semelhança dos dois líderes em estratégias populistas e contestatórias às instituições democráticas. Portanto, a escolha da capa não é apenas editorial, mas política.

O julgamento e a lição democrática

O julgamento de Bolsonaro, que começa em 2 de setembro, investiga sua suposta tentativa de golpe de Estado. A revista afirma que o golpe fracassou por incompetência e não por falta de intenções. No entanto, isso não diminui a relevância da situação: o Brasil se torna um caso de teste para a recuperação de nações afetadas pela febre populista.

Além disso, The Economist destaca como o Supremo Tribunal Federal (STF) tem atuado com firmeza, indicando que Bolsonaro e seus aliados provavelmente serão considerados culpados. Esse posicionamento fortalece a credibilidade das instituições brasileiras frente a um cenário global de enfraquecimento democrático.



Comparação com os EUA e outros países

Para embasar sua tese central, The Economist contrasta o cenário brasileiro com o dos Estados Unidos. O texto menciona ações problemáticas do ex-presidente Donald Trump, como:

  • A imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em defesa de Bolsonaro;
  • A aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes;
  • A tentativa de interferência no Federal Reserve;
  • Ameaças a cidades controladas por adversários democratas.

Essas ações, segundo a revista, remetem a uma era sombria em que os EUA frequentemente desestabilizavam nações latino-americanas. No entanto, felizmente, a interferência do Sr. Trump provavelmente sairá pela culatra. Ao contrário do que ocorre nos EUA, muitos políticos tradicionais do Brasil ainda buscam seguir as regras e promover reformas. Essas práticas, segundo The Economist, são marcas da maturidade política.

Conclusão

Em conclusão, a capa de The Economist com Bolsonaro transmite uma mensagem complexa: enquanto o Brasil enfrenta um processo judicial que testa a força de suas instituições, o país se posiciona como um exemplo de resistência democrática diante de um cenário global cada vez mais autoritário. O julgamento de Bolsonaro é, portanto, uma lição de democracia para os EUA e outros países em crise semelhante.