A Apple anunciou nesta segunda-feira que Tim Cook deixará o cargo de CEO em 1º de setembro de 2026. Essa decisão encerra uma gestão de quase 15 anos que transformou a empresa em uma das corporações mais valiosas da história. Cook assumirá o posto de chairman executivo, enquanto John Ternus, atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware, assumirá a liderança operacional da companhia.
Como Cook Encontrou a Apple
Cook assumiu o comando em agosto de 2011, após a saída de Steve Jobs por motivos de saúde. A empresa que ele recebeu já era bem-sucedida: o iPhone havia sido lançado em 2007, o iPad em 2010, mas a Apple valia cerca de US$ 350 bilhões e faturava US$ 108 bilhões por ano. Quando se tornou CEO, o mercado questionou: ele conseguiria manter o ritmo de uma empresa moldada por Jobs? Não possuía o perfil do predecessor. Era um executivo de operações, vindo do setor de logística e cadeia de suprimentos, não um designer de produto ou visionário de palco.
Os Números da Gestão Cook
Os resultados respondem à pergunta. Sob Cook, a capitalização de mercado da Apple saltou para mais de US$ 4 trilhões, valor mais de 10 vezes maior. A receita anual passou de US$ 108 bilhões para mais de US$ 416 bilhões no ano fiscal de 2025. A base de dispositivos ativos chegou a 2,5 bilhões ao redor do mundo. Além disso, a empresa opera mais de 500 lojas físicas em centenas de países e territórios.
Principais Lançamentos
Em termos de produtos, Cook não criou nenhum dispositivo comparável ao impacto do iPhone original, mas ampliou o portfólio de forma consistente. O Apple Watch, lançado em 2015, consolidou a Apple no mercado de wearables. Os AirPods, de 2016, ajudaram a redefinir o segmento de áudio sem fio. O Vision Pro, headset de realidade espacial lançado em 2024, representou a aposta mais ambiciosa em uma nova categoria de produto durante sua gestão.
Outro movimento central da era Cook foi reduzir a dependência do iPhone como único motor financeiro da empresa. A divisão de Serviços, que reúne Apple Music, iCloud, App Store, Apple TV+ e outros, se tornou um negócio de mais de US$ 100 bilhões por ano.
Desafios e Críticas
A gestão de Cook também acumulou pontos de tensão. A Apple foi criticada por não ocupar uma posição de liderança na corrida pela inteligência artificial, optando por integrar ferramentas de terceiros, como o Gemini do Google na Siri, em vez de desenvolver modelos próprios competitivos. O Vision Pro teve recepção morna entre consumidores. Já o Project Titan, projeto secreto de desenvolvimento de um carro elétrico da Apple, foi cancelado após anos de investimento.
Quem Assume o Comando
A partir de setembro, John Ternus assume o cargo de CEO aos 51 anos. Ele está na Apple desde 2001 e trabalhou diretamente sob Steve Jobs antes de ser promovido por Cook. É responsável por produtos como o chip M1 e pelas versões recentes do iPhone e do MacBook. Em comunicado, prometeu “liderar com os valores e a visão que definiram este lugar especial por meio século”. Cook permanecerá na empresa como chairman e terá papel no conselho e na estratégia de longo prazo.
Conclusão
A herança de Tim Cook na Apple é menos sobre rupturas e mais sobre escala e consistência. Ele transformou uma empresa de produtos excepcionais em uma das maiores corporações da história, com operações em mais de dois terços dos países do mundo e uma base de usuários sem paralelo no setor de tecnologia de consumo. Em uma carta aberta, Cook descreveu sua passagem pelo cargo como “o maior privilégio da minha vida”.
