A plataforma TikTok tem sido palco de uma tendência preocupante que tem mobilizado autoridades e a sociedade. A chamada trend ‘Caso ela diga não’ vem ganhando destaque por promover conteúdo que simula violência contra mulheres, gerando uma onda de críticas e investigações oficiais.
O que é a trend ‘Caso ela diga não’?
A trend ‘Caso ela diga não’ consiste em vídeos publicados por homens, geralmente jovens, que simulam situações de rejeição amorosa. Em resposta a uma suposta negativa, os criadores reagem com atos violentos, como simulações de socos, golpes com facas, tiros e outras agressões. Essas publicações são acompanhadas de frases como “treinando caso ela diga não”, reforçando uma mensagem de ameaça e desrespeito.
Segundo análise do g1, alguns desses vídeos alcançaram até 177 mil seguidores e somaram mais de 175 mil interações, evidenciando o alcance e o impacto dessas publicações na rede social.
Contexto de aumento de feminicídios no Brasil
A repercussão dessa trend TikTok ocorre em um momento crítico, com o aumento de casos de feminicídio no país. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que, em 2025, cerca de 1.470 mulheres foram vítimas desse tipo de crime, o que representa uma média de quatro mortes por dia. Esse é o maior número desde 2015, quando o feminicídio foi tipificado como crime.
A tendência também ganha contornos ainda mais alarmantes quando se consideram casos reais, como o de uma jovem no Rio de Janeiro que foi esfaqueada mais de 15 vezes após rejeitar um homem. Ela sobreviveu após quase um mês internada.
Repercussão e investigação das autoridades
Diante da gravidade da situação, a Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal iniciou uma investigação para identificar e derrubar os perfis responsáveis por esses conteúdos. Paralelamente, a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou um requerimento para que a Procuradoria-Geral da República investigue as publicações, solicitação feita pelo deputado Pedro Campos (PSB-PE).
Pedro Campos defende que a responsabilização não deve recair apenas sobre os criadores dos vídeos, mas também sobre as empresas de tecnologia. Segundo ele, é fundamental que as plataformas atuem proativamente para coibir a disseminação de conteúdos que promovam violência e ódio.
Posição da Advocacia-Geral da União
A Advocacia-Geral da União (AGU) também se posicionou sobre o caso, solicitando a abertura de um inquérito no Dia Internacional da Mulher. O procurador Raphael Ramos destacou que esses vídeos representam uma ameaça concreta aos direitos das mulheres e comprometem a integridade de políticas públicas voltadas à proteção desse grupo.
Resposta do TikTok e medidas do governo
O TikTok afirmou que removeu os conteúdos identificados como violadores de suas Diretrizes da Comunidade assim que foram detectados. No entanto, essa medida não foi considerada suficiente pelo governo brasileiro.
O Ministério da Justiça enviou um ofício à plataforma solicitando explicações sobre a trend em um prazo de cinco dias. O pedido enfatiza que a empresa deve adotar medidas de remoção imediata, mesmo sem a necessidade de uma ordem judicial, e fornecer detalhes sobre seus sistemas de moderação, recomendação de conteúdo e monetização.
O governo também questiona os mecanismos que podem ter impulsionado a disseminação desses vídeos, buscando garantir maior responsabilidade das plataformas na prevenção de conteúdos nocivos.
Conclusão
A trend ‘Caso ela diga não’ no TikTok revela um problema grave de apologia à violência contra mulheres nas redes sociais. Com a atuação conjunta de autoridades, como a Polícia Federal, PGR, AGU e Ministério da Justiça, há um esforço para responsabilizar tanto os autores dos conteúdos quanto as plataformas. É fundamental que a sociedade, empresas e governo atuem de forma integrada para coibir a disseminação de mensagens que estimulem a agressão e o desrespeito, garantindo um ambiente digital mais seguro para todos.
