A indústria de videogames vive um momento de transformação significativa, e dados recentes revelam que a venda de jogos em mídia física atingiu seu menor patamar desde 1995. Segundo o diretor sênior e conselheiro da indústria de videogames na Circana, Matt Piscatella, os gastos com jogos físicos nos Estados Unidos caíram 11% em 2025.
Apesar da queda, Piscatella ressalta que esta é a menor taxa de declínio desde 2021, quando foi registrada uma queda de 8%. O resultado também é melhor do que o gasto com mídia física em 2024, ano que registrou um decréscimo de 28% ante o período anterior. No entanto, o investimento em mídia física no país atingiu US$ 1,5 bilhão em 2025, o menor valor registrado desde 1995.
Histórico de declínio e impacto da era digital
Desde a introdução das lojas de jogos digitais na sétima geração de consoles, a venda de jogos em mídia física vem sofrendo baixas anuais diante da conveniência dos games digitais. Piscatella afirma que o pico de gastos com novos videogames em mídia física nos EUA foi registrado em 2008, quando o setor atingiu US$ 11,6 bilhões. Desde então, os gastos com jogos nesse tipo de mídia registram quedas anuais.
Em 2025, o Nintendo Switch 2 ajudou a mitigar a queda, apesar da polêmica com relação aos Game-Key Cards. O analista destaca que, embora o console tenha contribuído para conter a queda, o cenário geral ainda aponta para um declínio estrutural do mercado físico.
Geração Z e a retomada da mídia física
O Los Angeles Times publicou uma matéria sobre a Geração Z estar revitalizando o cenário de mídia física para música e filmes. Para o jornal, os jovens estão encarando a posse de mídia física como uma forma de rebeldia cultural. Piscatella, no entanto, discorda parcialmente da reportagem:
“Sem dúvida, há algo a se considerar no desejo de retornar aos dispositivos analógicos e não conectados, especialmente para a Geração Z. Mas uma ‘mudança drástica’? Não vejo isso”.
Mídia física de jogos morreu?
Há anos se discute a extinção da mídia física, seja pela perda de interesse dos consumidores ou pela falta de investimentos das empresas. Esse é o caso da Sony e da Microsoft, que apostam em catálogos de jogos via streaming, serviços de nuvem e no lançamento de consoles all-digital (hardware que não possui leitor de discos).
Embora a venda de jogos em mídia física esteja em declínio, especialistas apontam que o mercado ainda mantém um nicho relevante, especialmente entre colecionadores e jogadores que valorizam a posse tangível de seus títulos. No entanto, o futuro parece apontar para um ecossistema cada vez mais digital, com a mídia física sobrevivendo apenas como um segmento de nicho.
